A realidade do dia-a-dia feminino mudou muito nas últimas décadas, dramaticamente nos últimos anos. A mulher moderna está mais focada no trabalho, nos estudos, na carreira e na consolidação da sua independência. Com tantos projetos, é comum que para muitas a maternidade não seja a prioridade inicial da vida adulta.

O cenário clássico: mulheres, em sua maioria, de classe média ou alta até seus 25 anos, o ensino superior e pós-graduação até os 30. Separe aí mais alguns anos para encontrar o parceiro certo, curtir os frutos do trabalho duro, viajando, casar, ter independência financeira.

Se tudo correr bem – engravidar vira prioridade aos 32, talvez 35 anos. E vai além: elas se cuidam e contam cada vez com mais recursos para isso. Estamos falando de mulheres que aos 40, 50 ou 60 anos são saudáveis, ativas, magras e extremamente produtivas. Afinal, ter saúde física é a regra!

Não tem nada de errado com essa história toda – muito pelo contrário. O problema é que a fertilidade feminina não acompanha essa mudança. Em particular, os ovários. O dilema da transição social moderna, tão merecida, é simples: os ovários envelhecem num ritmo diferente do restante do corpo e não esperam a conclusão de outras metas.

A regra vale para todas: independente do que se faça, seus ovários estarão sempre perdendo óvulos em quantidade e qualidade. E esse efeito é acelerado aos 35, crítico aos 40 anos. Não tem como evitar.

A proposta não é causar pânico. Muito menos sugerir que se busque a maternidade antes do planejado. Mas deixar claro que existem ferramentas científicas que podem evitar que você seja pega de surpresa. Fiquem atentas à três dicas fundamentais:

- Avalie sua reserva ovariana, pelo menos uma vez ao ano. Vale para toda mulher adulta que tem intenção de ter filhos um dia. Um simples ultrassom endovaginal (que muitas provavelmente já fazem) consegue dar essa informação. Peça ao seu ginecologista para incluir a contagem de folículos antrais em todos os exames. Essa avaliação pode te ajudar a decidir sobre o momento de investir na gravidez ou no congelamento de óvulos.

- Fuja do cigarro. Fumar é o único hábito que reconhecidamente reduz a quantidade de óvulos. Mulheres tabagistas chegam a entrar na menopausa 4 anos antes do previsto.

- Considere congelar seus óvulos por volta de 30 anos. Considere fortemente aos 35. O congelamento permite a você adiar a maternidade para quando for conveniente, mantendo o seu potencial reprodutivo da época em que se congela. Congelar mais jovem significa ter melhor performance e gastar menos. Em alguns casos, como em pacientes que vão operar os ovários, fazer quimio ou radioterapia, o congelamento pode ser obrigatório e até emergencial.

Viva e seja muito feliz. Ser mãe é um sonho para muitas e para ser pleno, requer preparo e coração aberto. Tem que ser na hora certa! Por isso, não descuide – seus ovários agradecem.

(Dr. Walter Costa Borges - CRM/GO 18328)