O ano de 2020 será lembrado por décadas pelo impacto mundial causado pelo Coronavírus. Para todos nós da área da saúde, o dia 18 de outubro, data em que celebramos o Dia do Médico, há tempos não tem tanta importância e significado.

A pandemia para nós médicos tem sido avassaladora. Ressignificamos a profissão ao longo dos últimos meses, potencializamos a coragem, o desprendimento, a resiliência e a fé em todos os níveis: a fé no ser humano, a fé na ciência, a fé nos valores essenciais e, acima de tudo, a fé em Deus. Diante do imponderável, da presença do vírus e das lacunas que o envolvem, nós médicos focamos ainda mais na rede de cuidados exigidos pela profissão e, em grande parte, tivemos que abrir mão do que nos é mais caro: da convivência e da dedicação às nossas famílias, pais, filhos e netos.

Nesse cenário de guerra, de front de batalha, o paciente nunca foi tão importante, e o juramento de Hipócrates, criado na Grécia, no século V a.c se tornou ainda  mais atual diante do seu propósito de praticar a medicina honestamente na preservação da vida humana, seguindo os preceitos da ciência.

Fala-se muito de que quando tudo isso passar não seremos mais os mesmos. Não se pode prever a forma com a qual o mundo se reorganizará e em quê velocidade. Se manteremos o isolamento e as restrições, se serão potencializadas novas formas de produzir e de nos comunicarmos,  se a tecnologia  e a automação irão pautar e dominar ainda mais  os processos de geração de renda.

Hoje, para nós médicos e para toda comunidade científica, há uma grande certeza, nunca fomos tão postos à prova. Nos distanciamos do médico mito, endeusado pelos pacientes como detentores de todas as respostas e de todas as soluções. O momento atual nos aproximou da essência do ser, do servir, da vivência humanitária, do dia a dia do médico que coloca seu conhecimento e técnica a serviço do próximo.

Diversos relatos atuais revelam que há momentos em que mesmo diante de todo conhecimento que temos, do estudo, dos anos debruçados em teses e pesquisas, fazemos toda  a diferença na vida das pessoas e de suas famílias  por meio de simples gestos, como  ao segurarmos as mãos de um paciente  na beira do leito  dizendo: “fique tranquilo, eu estou aqui cuidando de você”.

Com extrema gratidão a Deus, pela oportunidade de servir ao próximo, pelo orgulho de ter escolhido e por exercer esta linda profissão, me dirijo de forma extremamente respeitosa e fraterna aos professores e colegas médicos que hoje, mais do que nunca, dignificam a medicina e a ciência.