A preocupação do Vila Nova gira em torno da arrecadação. Com a queda para Série C do Campeonato Brasileiro e a eliminação precoce na Copa do Brasil – na 2ª fase, diante da Ponte Preta, nos pênaltis -, o clube perde faturamento. Do ano passado para este, o clube viveu mudanças além das quatro linhas do gramado. A presidência executiva foi deixada por Ecival Martins e assumida por Hugo Jorge Bravo, que não escondeu a situação financeira difícil a ser enfrentada pelo Tigre.

Logo depois da reunião entre Federação Goiana de Futebol (FGF) e clubes, que definiu a paralisação do Campeonato Goiano, o presidente do Vila Nova expôs a dificuldade a ser enfrentada. “Já tínhamos sérios problemas financeiros, vamos ter de fazer reajuste do clube como um todo. Vamos definir com nosso departamento jurídico. O que não dou conta é de pagar sem jogar. Isso é fato”, disse Hugo Jorge Bravo no último dia 18 de março.

O clube não tardou a tomar atitudes para se prevenir da crise. No dia seguinte (19) à declaração do presidente, o Vila Nova dispensou dois jogadores do elenco – Crystian e Francesco. Dois dias depois (21), mais quatro atletas tiveram contratos rescindidos – Wallace, Liel, Celsinho e Dimba.

Na última sexta-feira (27), a medida tomada foi geral. Juntamente com os rivais Goiás e Atlético-GO, o Vila Nova ofereceu proposta de negociação ao Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de Goiás (Sinapego). Os clubes aguardam resposta.

O principal ponto da proposta é a redução de 50% no salário dos atletas por 60 dias, o que, segundo o advogado do Vila Nova, aliviaria as contas do clube. “Alguns patrocinadores querem suspender o contrato. Se isso acontecer, vai dificultar o pagamento dos atletas. O Vila, hoje, tem pouca fonte de receita. A renda de jogos não está ocorrendo por conta da paralisação, a cota da televisão está indefinida. Temos a mensalidade de conselheiros e patrocínios”, disse Maurilho Teixeira.

O setor de marketing do Vila Nova tenta manter os patrocinadores. Segundo o diretor do departamento, o Tigre tem uma receita de cerca de R$ 300 mil em patrocínios. No entanto, é somado neste valor serviços e produtos oferecidos por parceiros. “Recebemos dois comunicados de patrocinadores que não querem pagar neste mês em virtude da falta de exposição (das marcas). Tentei contornar a situação, mas eles estão convictos de que não têm condição nenhuma de pagar”, disse Murilo Reis.

A proposta do diretor de marketing do Vila Nova para os patrocinadores é oferecer o serviço de exposição da marca ao término dos contratos. “Pedimos para que eles continuassem pagando porque os salários dos jogadores não foram suspensos. Em troca, ofereceríamos uma bonificação. Ao fim dos contratos, eles teriam mais um mês de exposição da marca deles”, afirmou Murilo Reis, que ressaltou a disponibilidade das redes sociais do Tigre para seus patrocinadores.

Ao todo, o Vila Nova tem 24 patrocinadores, sendo 11 parceiros comerciais, que oferecem produtos e serviços, e 13 de pagamento de recursos. Desses, três contratos vencem ao fim do Goianão e outro, em junho. O restante se estende até o fim do ano.

Murilo Reis estima que dos R$ 300 mil captados, o Vila Nova deixa de ganhar, pelo menos, R$ 100 mil com as atividades paradas. “Não estamos fazendo uso de suplementos, produtos de limpeza. Esses parceiros não têm tanto prejuízo, pois, apesar de não ter a marca exposta, também não estamos consumindo o que oferecem”, disse o diretor de marketing.

Uma das estratégias adotadas pelo Tigre, neste ano, foi o mando de jogos no Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA). Com estádio próprio, a arrecadação aumenta. A partida com maior público, nesta temporada, foi no clássico contra o Goiás, 2.958 pagantes, no dia 1º de março. Com gasto de R$14.692,60, o Tigre arrecadou um total de R$50.835 e teve a maior renda líquida, de R$36.142,40.

O Vila Nova disputou cinco jogos em casa no Campeonato Goiano, o último sem torcida, e ainda teria pelo menos mais um na programação da competição, em que buscava classificação às oitavas de final. A última rodada da 1ª fase seria no OBA, contra o Goiânia. Em caso de voltar o Goianão 2020, dirigentes reconhecem que jogar de portões fechados não é proposta interessante para o Tigre.