Lua e Coração exibiam reluzentes medalhas de ouro, conquistadas ontem, em Goiânia, no último dia do 41º Campeonato Brasileiro de Tiro com Arco e 9º Brasileiro Paralímpico. Lua e Coração são nomes gentílicos do jovem casal indígena, formado por Graziela Santos, de 20 anos, e Nelson Silva, de 15 anos, oriundos de tribos do Amazonas.

Eles integram a equipe Fundação Amazônia Sustentável (FAS), que veio a Goiânia com seis arqueiros. Além deles, competiram Jardel Cruz, Drean Silva, Gustavo Santos e Larissa Feitosa, a única não indígena da equipe. Drean é Iagoara, sinônimo de Cachorro do Mato, enquanto Gustavo é Ywitin, ou Vento. Jardel é chamado Wanaiu, ou Pássaro.

Membros de tribos diferentes, Graziela e Nelson venceram na final de duplas mistas a Sociedade Arqueiros da Íris (RJ), com Marcelle Santos e Marcus Vinícius D’Almeida, o jovem prodígio de 17 anos e revelação do tiro com arco – o atleta ganhou duas medalhas de ouro (equipe e individual).

“É um resultado fantástico. Imagina você que, há algum tempo, para iniciar o projeto, tivemos de buscar nas tribos e comunidades indígenas talento desconhecido”, disse Anibal Forte, técnico e preparador físico da equipe.

Segundo ele, oito atletas foram selecionados, há cerca de dois anos. Depois, foram morar e treinar em Manaus. Dois jovens deixaram o projeto. Porém, os outros continuam.

Nelson, ou Coração, é da etnia Kambeba. Para chegar até a tribo, são necessárias sete horas de barco pelo Rio Negro. A etnia de Lua, ou Graziela, a Karapanã, fica próxima à capital manauara – cerca de 60km.

Entre os goianos, Jane Karla ganhou ouro (composto paralímpico) e prata (composto individual geral). O Goiás Clube foi prata no composto masculino por equipes com Marcelinho Roriz, Thiago Castro e Andrey Muniz, que também foi ouro no composto paralímpico.