Certamente, o fato mais polêmico do futebol mundial, nos últimos dias, foi o entrevero entre o uruguaio Cavani e o brasileiro Neymar. A vitória por 2 a 0 do Paris Saint-Germain (PSG) sobre o Lyon ficou em plano secundário. A “guerra de egos”, como jornais batizaram o episódio criado pelos atacantes, no entanto, parece ter sido resolvida. Na vitória de ontem sobre o Bordeaux, por 6 a 2, o clima já havia melhorado.

Contra o Lyon, Neymar pegou a bola para bater pênalti, mas Cavani impediu e cobrou. Batida forte, bola no travessão e polêmica no ar. Para técnicos do futebol goiano e um dirigente acostumado a intervir em fatos conflituosos, faltou comando do técnico Unai Emery.

“Estas situações atrapalham o clube. Foi uma falha grave. Faltou ao treinador (Unai Emery) a definição de vestiário, de quem é o cobrador (de pênaltis). Pior do que isso, o comando do técnico ficou fragilizado”, detectou o diretor do Atlético, Adson Batista, reconhecendo que Cavani, por estar há mais tempo no time, teria prioridade nas penalidades, pois era o batedor.

O episódio, que joga culpa para cima do técnico Unai Emery, expõe o dilema - comando fraco alimenta conflitos entre personalidades fortes. Achar o tempero ideal entre a liderança e a gestão de pessoas é o desafio.

“Você tem de determinar funções. Na minha preleção, tenho sempre três batedores: Alan Mineiro, Alípio e Moisés. Caso estes jogadores não estejam no jogo ou não tenham condições, eu é que vou escolher o outro batedor”, detalhou o técnico do Vila Nova, Hemerson Maria.

Opinião idêntica tem o técnico do Atlético, João Paulo Sanches. “Tem de definir no pré-jogo quem é o 1º, o 2º, o 3º cobradores (de pênaltis e faltas). No jogo com o Cruzeiro (derrota de 2 a 1), a ordem era Andrigo, depois o Luiz Fernando”, citou João Paulo, que vê, no caso do PSG, a disputa de ego entre jogadores.

Para ele, as definições começam nos treinos, no trabalho de campo. Faltas, escanteios, penalidades, posicionamentos, tudo é pré-estabelecido. “Tem de mecanizar todos os possíveis movimentos, ofensivos e defensivos.”

Hemerson Maria lembra que teve problema semelhante ao dirigir o Joinville.

Toda crise parece ter sido contornada após tamanha repercussão. Ontem, Neymar foi quem cobrou pênalti na goleada sobre o Bordeaux, por 6 a 2. Cavani foi o primeiro a abraçá-lo.