Como ter trocas no comando e mesmo assim o jeitão de sequência de trabalho? Pergunte ao Atlético-GO como. Já escrevi neste espaço outras vezes que o clube tenta romper com o paradigma de que o técnico é a principal figura em uma equipe e é em torno dela que o clube tem de girar. No início de temporada, preferiu se voltar ao mercado de jogadores e buscar reposição para o que perdeu do que se preocupar com o comando.

Com a chegada de Jorginho, o rubro-negro tenta repetir essa ideia que reproduziu ao longo de 2020 e no início de 2021. Ter um dirigente centralizador e conhecedor do mercado, além de uma comissão permanente muito exigente e cobrada, pode ser a receita do clube, que, nos últimos meses, lucrou com as passagens de Vagner Mancini e Marcelo Cabo, mas não perdeu o rumo com a saída deles.

Jorginho só tem vantagens ao assumir o Atlético-GO. A primeira delas é não ter que se preocupar com Estadual imediatamente. O clube está garantido nas quartas de final. No mês de abril, que o Goianão usará para finalizar sua 1ª fase incluindo ocupar datas de meio de semana para jogos e rodadas em atraso, o Dragão vai se voltar para as outras competições: decidir na Copa do Brasil e estrear na Sul-Americana.

Jorginho vai receber o time pronto, bem trabalhado e montado. Está aí outra vantagem. Deve desfrutar do que os auxiliares vão lhe oferecer.

A experiência que adquiriu na última década trouxe bagagem a Jorginho, mas há ressalvas. O técnico chegou ao vice da Sul-Americana com a Ponte Preta em 2013 e teve participação menor na campanha, também de vice, do Goiás em 2010. Só que a competição tinha outro formato e, ao mesmo tempo, o treinador comandou as equipes em rebaixamentos na Série A por pontos corridos nos mesmos anos.

Agora, precisa entender e definir estratégias para a nova Sul-Americana e, se tudo der certo até maio, terá a chance de iniciar um trabalho na elite que pode levá-lo a ganhar projeção no mercado.

Em Brasileiro, sua última campanha de melhor nível em um trabalho longo foi em 2016, na Série B, com o Vasco. É bom que se diga que, desde então, acumulou experiências muito rápidas em clubes, como Bahia e Coritiba. Ainda assim, levou o clube paranaense ao acesso em 2019, assumindo no 2º turno, depois de Umberto Louzer. Na Ponte Preta, em 2019, teve mais de 30 jogos, sem conseguir engrenar.

A última vantagem pode ser um amigo em comum entre as duas partes: Marcelo Cabo. O profissional mantém íntima convivência com Jorginho e deve ter relatado com detalhes ao amigo como e por que trabalhar no Atlético-GO. O contrário também vale. O clube certamente buscou informações com seu último treinador, que saiu por cima e só deixou o rubro-negro para realizar um sonho no Vasco.

O 10 e o cuspe

Com a transação disciplinar desportiva que estabeleceu suspensão de quatro jogos a Alan Mineiro por ter cuspido no escudo do Goiás, atitude deplorável de um jogador que tem bonita história no clássico, o meia escapou de uma situação que poderia ser muito pior e comprometer a carreira.

Isso também foi levado em conta pelo Tribunal de Justiça Desportiva de Goiás ao desqualificar, na denúncia, o artigo 243-D (incitar publicamente o ódio ou a violência) e manter apenas o 258 (conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva).

Apesar do rigor da punição prevista no artigo desqualificado, de mínima de um ano e máxima de dois anos, a denúncia pela cusparada foi enfática ao associar o gesto do meia à incitação à violência e o 243-D é o único do CBJD que trata do assunto. Não foi uma denúncia exagerada. Além de prever pena pesada, é um artigo que não permite transação disciplinar e estabelece a punição em dias, o que tiraria Alan Mineiro de todas as competições em um período de punição.

Só por causa da desqualificação é que foi possível um acordo para a pena, que sequer foi a máxima do artigo mantido. Entender do que escapou deve fazer Alan Mineiro refletir ainda mais sobre sua atitude e fazê-lo mirar em voltar a ser protagonista nos clássicos pelo que faz com a bola.