Vai começar a competição que atualmente empolga mais os cofres dos clubes do que os torcedores goianos. A Copa do Brasil se tornou, desde 2017, sinônimo apenas de dinheiro no bolso. A meta passou a ser arrecadar o máximo possível. É óbvio: o lucro fase a fase aumenta à medida que os times avançam, o que também está ligado ao rendimento em campo. Mas, esportivamente, é mais difícil que a realidade para os times do Estado seja algo além das oitavas de final.

Ganhar dinheiro é legítimo (e bom), lucrar alto com a classificação fase a fase também. Mas se tornou um consolo para um clube que dificilmente brigará para estar entre os primeiros naquele tipo de campanha que dá orgulho ao torcedor, propicia estádios cheios (e bilheteria alta) e rende outros tipos de dividendos aos clubes, financeiros ou imateriais.

Para os goianos, é como se a chance de ser campeão da Copa do Brasil tivesse ficado no passado. E olha que passou muito perto, como em 1990, na única vez em que um time do Estado, o Goiás, decidiu a competição. As campanhas de semifinal conseguidas pelo alviverde e pelo Atlético-GO também fizeram com que o sonho embalasse os torcedores e os levassem, às dezenas de milhares, ao estádio.

Sempre considerada a mais democrática das competições, a Copa do Brasil passou a dar menos oportunidades para um time da base, ou do meio, da pirâmide do futebol ascender. No início ou nos postos de menor status, há o acesso facilitado, mas os lugares mais valiosos estão nas mãos dos mais ricos, de uma elite endinheirada. Romper com isso se tornou mais difícil. Para que ninguém fique triste, faz-se uma espécie de distribuição de renda.

Antes das pedras em minha direção, digo que o problema não é a premiação alta, mas esse ser o único objetivo. É verdade que, para a maioria das equipes, chegar às fases finais era tão difícil antes quanto agora. Mas a realidade dos maiores clubes goianos já permitiu, em outras épocas, tornar a briga por vaga nas fases finais algo mais palpável.

Desde 2017, são apenas cinco times que sobram dos 80 que iniciam a 1ª fase da Copa do Brasil e chegam às oitavas de final, que recebem os oito brasileiros que iniciaram a Libertadores no ano e os vencedores de duas copas regionais e da Série B do ano anterior. Em três edições, só uma vez um goiano que iniciou a 1ª fase esteve na fase dos 16 melhores - o Goiás, em 2018, que caiu para o Grêmio. O Atlético-GO também disputou as oitavas, mas não partindo da 1ª fase - foi o primeiro campeão da Série B (2016) a ganhar o direito de entrar direto nelas.

Nas três edições no atual formato, o Cruzeiro de 2017 foi a exceção, e logo na primeira experiência, de um clube que saiu da 1ª fase e foi campeão. O contexto explica, pois o clube tinha feito uma temporada ruim em 2016 e, em 2017, ficou fora da Libertadores e caiu na 1ª fase da Sul-Americana. Mais do que isso, era o Cruzeiro, com elenco que tinha nomes como Thiago Neves, Arrascaeta, Fábio e Henrique. O clube mineiro viveu os últimos anos de investimentos altíssimos, que, aliados à gestão corrompida, resultou na crise atual.

Fora a exceção, o Bahia foi o time que iniciou a 1ª fase e chegou mais longe, o único a alcançar as quartas de final - foi em 2019. As semifinais dos dois últimos anos tiveram apenas clubes da Libertadores. Deve ser a meritocracia.