Goiás, quer uma receita para voltar à Série A no ano que começa hoje? Então, aí vai. Primeiro, ganhe o Goiano. Segundo, mantenha a mesma comissão técnica durante toda a temporada. Em relação aos "ingredientes", que aqui vamos chamar de jogadores, tenha no mesmo grupo pratas da casa, alguns experientes e muitos que ainda buscam seu espaço no cenário nacional. Por último, é bom rechear a mistura com um "homem-gol", aquele especialista em colocar a bola para dentro. Isso vai ajudar.

Qual clube não gostaria de uma fórmula mágica para deixar a Série B do Brasileiro para trás? Mas engana-se quem pensa que a receita acima é fruto da imaginação. Se o Goiás voltar-se para o seu próprio passado, encontrará dois bons exemplos de sucesso que fizeram o alviverde retornar à principal divisão do futebol brasileiro no ano seguinte à queda para a Segundona. E há neles todos os fatores citados.

Foram as duas únicas vezes que o Goiás disputou a Série B: 1994 e 1999 ? a terceira será neste ano, a partir do dia 22 de maio. É claro que as competições tiveram fórmulas de disputa diferentes ? e é sempre bom lembrar que há seis edições a Segundona ficou ainda mais difícil, já que é no sistema de pontos corridos ?, mas a história mostra pontos em comum.

Nas duas ocasiões em que disputou a Série B e subiu (veja quadro), o Goiás iniciou a temporada com o título estadual. Walter Nascimento, em 1994, e Hélio dos Anjos, em 1999, comandaram o alviverde na temporada inteira, o que garantiu um trabalho a longo prazo. Típicos goleadores, Baltazar e Fernandão foram os artilheiros da equipe nas duas edições, com o mesmo número de gols, 11 ? o Artilheiro de Deus foi, inclusive, um dos artilheiros em 1994.

"O ano de 1993 foi muito ruim. O Goiás contratou mais de 70 jogadores. Em 1994, resolveram valorizar os pratas da casa. Os que não eram formados no clube, estavam buscando seu espaço. E os mais experientes, Baltazar e Zé Teodoro, foram muito positivos no grupo", lembra o ex-goleiro Kléber Guerra, prata da casa já um pouco experiente naquela época, sobre a campanha de 1994.

Kléber considera a segunda partida contra a Desportiva (ES), pela semifinal, como a mais importante de 1994. "A arbitragem toda se mobilizou para fazer a Desportiva ganhar o primeiro jogo. Tivemos competência de vencer no segundo. Foi um grande marco", diz.

Só de ônibus
Sofrimento não faltou para o Goiás conseguir o acesso em 1994. Apenas uma viagem foi feita de avião ? a para o segundo jogo da decisão contra o Juventude, quando o Goiás já tinha garantido lugar na elite em 1995. Em todos os outros trajetos, o grupo viajou de ônibus. Em alguns casos, passava semanas fora de casa, emendando jogos pela Série B e pelo Goianão.

"O clube estava com a situação financeira ruim, mas o mais importante foi a seriedade e a humildade do grupo", comenta Kléber, hoje com 40 anos, que subiu para o profissional em 1989 e ficou no Goiás até1998 ? foram 465 jogos e 7 títulos. "Consegui minha credibilidade, passar segurança e vencer as desconfianças durante minha história no clube."

Artilheiro de uma equipe que tinha muitos talentos em 1999, o atacante Fernandão afirma que os dois jogos contra o Vila Nova no quadrangular final da Série B foram inesquecíveis. "Os dois clássicos contra o Vila que nós vencemos (ambos por 1 a 0) foram especiais. Aqueles seis pontos nos deram a classificação antecipada. Depois, a gente pôde administrar para se tornar campeão em casa (empate sem gols com o Santa Cruz)", lembra ele, hoje no São Paulo.

Com um time inspirador em 1999, o Goiás chegou a jogar num 4-3-3 sem meia-armador. No meio-de-campo, eram três volantes (Túlio, Marabá e Josué). Fernandão, Dill e Araújo atuavam na frente, com o primeiro voltando para buscar jogo e armar.

"Vovô" em 1999, Sílvio valoriza Hélio

Com 28 anos em 1999, o ex-zagueiro Sílvio Criciúma era o "vovô" da equipe do Goiás que conquistou o único título nacional que o clube tem, o da Série B. No decorrer da competição, chegou o goleiro Harlei, então com 27 anos, que até hoje está no alviverde e deve encerrar a carreira em dois anos. Para Sílvio, o diferencial da campanha foi o técnico Hélio dos Anjos.

"O comando do Hélio dos Anjos, tendo o conhecimento e o controle do pessoal, foi fundamental. Além disso, todos os atletas queriam aparecer, mostrar sua cara para o Brasil. Foi uma junção", comenta Sílvio, que hoje é comentarista de TV.

O ex-zagueiro, capitão do grupo em 1999, serviu de exemplo para Fernandão. "O Sílvio foi meu grande mestre. Devo tudo ao Sílvio, meu mentor em relação à postura e à liderança", diz o atacante. Para Sílvio, o jogo mais importante da campanha foi a vitória sobre o Vila Nova (1 a 0), penúltima partida do quadrangular decisivo, que garantiu o acesso ao Goiás. (PP)

Clube define jogadores da Copinha

O técnico Edson Alves, do sub-18 do Goiás, definiu ontem os 20 jogadores que vão disputar a Copa São Paulo de Futebol Júnior. A lista conta com Wallace e Leanderson (goleiros); Hugo, Clayton e João Carlos (alas); Gustavo, Pedro Henrique, Victor Massaia, Alisson e Luiz (zagueiros); Everton, Jeferson, Vitor Miranda e Willian César (volantes); Claytinho, Thiago Henrique e Lucas (meias); Mário, Bruno Henrique e Paulo Henrique (atacantes). O grupo realizou, ontem, em dois períodos, os últimos treinamentos em Goiânia.

Mais um nome especulado como reforço do Goiás é o do meia Netinho, que estava no Atlético (PR). Porém, o site do Furacão informou que o meia vai para o Al-Ahli, do Qatar. (Cristiano Leobas)