O adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio foi comemorado por atletas. A reação não poderia ser diferente na visão de especialistas, que apontam a medida como a única alternativa possível para o impasse gerado com o avanço da pandemia do novo coronavírus.

“O Comitê Olímpico Internacional não tinha outra saída. Não haveria qualquer chance de manter a data (24 de julho) e preservar a realização neste ano seria uma temeridade, uma vez que o inverno no Japão é muito rigoroso. Mesmo adiando para o fim de 2020, havia a possibilidade de não ser possível que todas as vagas fossem preenchidas, tampouco que isso garantiria igualdade de treinamento entre os atletas de todos os continentes”, avaliou a professora e psicóloga Katia Rubio, especialista em estudos olímpicos.

Ex-técnico da seleção brasileira e de vários nadadores nos Estados Unidos, Alex Pussieldi endossa o adiamento dos Jogos como única alternativa. “Era algo inevitável. Não tinha como não adiar, os atletas estavam sem treinar e os que estavam treinando estavam correndo riscos. Creio que essa decisão já estava tomada há algum tempo e penso que estavam segurando. O próprio COI estava convencido de que tinha de transferir (de data), só que o governo japonês estava sustentando e isso afetou até o último instante”, ressaltou Alex Pussieldi.

Para o ex-técnico, a mudança para 2021 faz com que a competição ganhe em qualidade técnica, mas Alex Pussieldi lembra que o prejuízo financeiro será inevitável. “Tudo vai ser afetado, sem exceção. A parte técnica seria muito afetada se fosse mantida a data para julho de 2020. Com os Jogos em 2021, você vai ganhar na parte técnica, é um aspecto positivo. O aspecto negativo é no lado comercial e toda uma malha, todo um sistema envolvido. Temos de lembrar que muitos contratos de atletas, de seleções, de televisões, tinham fim em 2020. Todos terão se assinar aditivos”, explicou.

Em toda a história da Era Moderna, a Olimpíada sempre ocorreu a cada quatro anos, exceções feitas às três edições canceladas por causa de guerras mundiais (1916, 1940 e 1944). Desta vez, por conta do coronavírus, a tradição será quebrada.

“O que teremos com essa decisão é a quebra do ritual olímpico, que é a realização dos Jogos de quatro em quatro anos. Ou seja, essa medida é tomada tendo como fundamento o cumprimento de acordos comerciais já firmados. Teremos uma competição olímpica, mas não os Jogos como determina a carta olímpica. Fazer os Jogos Olímpicos em 2021 é como celebrar a Páscoa e outubro e o Natal em fevereiro”, enfatizou Katia Rubio.