A CBF anunciou ontem que destinará R$ 19 milhões para clubes que disputarão as séries C e D do Campeonato Brasileiro e A1 e A2 da competição nacional feminina, a fundo perdido, para auxiliar durante a paralisação do futebol por causa da pandemia do novo coronavírus. O valor será repassado a partir de hoje. Ao todo, 140 clubes serão beneficiados.

Os goianos que receberão ajuda imediata são Goiás e Atlético-GO (estão na Série A2 do Brasileiro feminino), Vila Nova (Série C), Goiânia, Goianésia e Crac (Série D). Os valores dos repasses vão de R$ 200 mil, para o time que está na Série C, a R$ 50 mil, para os times que estão na Série A2 feminina, passando por cotas de R$ 120 mil para o clube que disputará a Série D.

Para o presidente do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo, a entidade nacional tem condições de oferecer ajuda mais relevante. “O valor de R$ 200 mil não representa 30% do custo mensal do Vila. Pelo potencial que a CBF tem para colaborar com os clubes, esse valor não é satisfatório”, afirmou o dirigente.

Um outro receio em cima do valor paira sobre o Vila Nova. O clube tem dívidas na justiça trabalhista, que faz com que 30% das receitas advindas de patrocínios e premiações sejam bloqueadas para pagamento de acordos judiciais. “Estamos aguardando se não será objeto de penhora”, admitiu o dirigente do Tigre.

Os clubes goianos que disputam a Série D comemoraram o apoio, mas o consideram insuficiente. O Goiânia disse que esse suporte chega em boa hora, apesar de representar apenas 55% do valor orçado para uma folha salarial durante a Série D. “Entendemos que é importante porque mostra que estão preocupados conosco”, frisou o presidente Alexandre Godói, que afirmou que o Galo deve ter folha salarial de R$ 220 mil por mês para disputar a Série D.

O Goianésia disse que é pouco. “Não sabemos ainda quais jogadores estarão disponíveis quando for começar a Série D, mas, a princípio, não pagaria uma folha salarial”, afirmou o presidente o Azulão do Vale, Marco Antônio Maia, que entende que esse valor, de qualquer forma, ajudará o clube.

Para o Crac, o valor não é satisfatório. O presidente do clube, Roberto Silva, aguarda a retomada do calendário para definir o futuro da equipe. “O valor que a CBF vai repassar é irrisório. Quero esperar para ver como vai ser depois que o futebol voltar, mas R$ 120 mil não ajudam”, afirmou o dirigente.

Para o presidente da Federação Goiana de Futebol (FGF), André Pitta, que também é diretor de coordenação da Série D, este gesto será importante para que os clubes possam se organizar para disputar torneios nacionais. “Vários clubes tiveram de fazer acertos com os jogadores, então é importante para colocar a casa em ordem agora, para que os clubes estejam em condição melhor para entrar no campeonato (Série D) quando ele começar”, opinou André Pitta.

A FGF também receberá apoio financeiro de R$ 120 mil. Segundo André Pitta, a verba será utilizada para o pagamento de folha salarial da entidade e de impostos.