A pandemia do novo coronavírus mudou o calendário do esporte mundial, interferindo diretamente na sequência de competições e na rotina de atletas. No futebol, treinos e jogos estão suspensos mundo afora. Isso mudou o hábito de jogadores. Atividades específicas dentro de casa, cuidados com a saúde e preocupação passaram a fazer parte do dia a dia.

Jogadores goianos ou com passagens pelo futebol de Goiás que atuam na Europa conversaram com o POPULAR e contaram como a vida de cada um foi impactada pela pandemia. O continente europeu é um dos principais afetados.

“A vida está completamente diferente da realidade de uns dias atrás. Estou aproveitando o isolamento para passar mais tempo com a família, mas intercalo com treinos e outras atividades, como leituras e jogando videogame”, relatou o zagueiro goiano Pedro Henrique, de 27 anos, ex-Goiás, que defende o Vitória Guimarães, de Portugal.

Atletas brasileiros que atuam em Portugal estão em isolamento social desde o dia 13 de março. “A população europeia está bastante assustada com a propagação do coronavírus, em alguns países existem muitos idosos (grupo de risco). Espero que todos no Brasil se conscientizem logo para superarmos esse momento difícil”, disse o lateral esquerdo, de 25 anos, Rafael Furlan, natural de Quirinópolis, que atua pelo Vilafranquense, da 2º Divisão do Português.

Diferente do que ocorre em alguns estados brasileiros, a população de alguns lugares na Europa não tem buscado estocar alimentos ou itens que podem ser utilizados para higiene. “Se acontecesse isso aqui, estaríamos tirando de outras pessoas, algumas até sem condições. Os mercados estão sempre bem abastecidos, temos de ter fé e calma. Logo essa fase vai passar”, frisou Pedro Henrique.

Alguns clubes europeus orientaram jogadores de outras nacionalidades a retornarem para seus países de origens. É o caso do meia Renan Oliveira, ex-Goiás e Atlético-MG, que joga no FK Suduva, da Lituânia. Desde o dia 9 de março, o campeonato local está suspenso.

Com residência fixa em Belo Horizonte, o jogador de 30 anos chegou à capital mineira há cinco dias. “O primeiro caso suspeito foi de um homem, não me recordo a idade, mas não era idoso. Assim que foi confirmado, o governo mandou fechar tudo. Só farmácias, hospitais e alguns mercados estão abertos. O clube orientou que jogadores voltassem para suas casas. Vim para o Brasil”, comentou o jogador, que passou a treinar em casa.

“O clube passou a orientar treinos individuais para cada atleta, sigo uma cartilha de exercícios diários. Sempre treino pela manhã. Concordo com a paralisação dos campeonatos e treinos, pelo fato de ser uma doença de fácil contágio. Vidas estão em risco”, detalhou o volante Luiz Fernando, de 24 anos, que defende o CD Aves, de Portugal e jogou pelo Vila Nova em 2016.

Se muitos jogadores aproveitam o isolamento social para ficarem próximos da família, há casos de atletas que estão sozinhos em quarentena, como do goiano de Porangatu, Rodrigo Soares. “Minha esposa foi para o Brasil antes e estou sozinho durante a pandemia. O clube passou instruções de treinos e de cuidados com a saúde, lavar as mãos, evitar sair de casa. Minha rotina mudou bastante, basicamente estou confinado dentro de casa”, frisou o lateral direito, que mora em Salónica, na Grécia, onde atua pelo PAOK.

Por lá, o Campeonato Grego foi paralisado no dia 8 de março. No dia seguinte, as equipes locais liberaram os atletas para ficar em suas casas. “Aqui, o pessoal está bem consciente, os exemplos da Itália e Espanha, onde o coronavírus ganhou proporções maiores, fizeram com que o governo da Grécia agisse rápido na orientação pelo isolamento”, salientou Rodrigo Soares, que no futebol goiano defendeu o Grêmio Anápolis.

Contrato mantido, mas salário é preocupação

Se no futebol brasileiro muitos clubes vão rescindir contratos com atletas por causa da ausência de competições, na Europa todos os jogadores consultados pela reportagem informaram que receberam dos diretores a garantia de que os times vão manter os vínculos durante a pandemia do coronavírus.

No futebol goiano, por exemplo, Jaraguá, Goiânia, Aparecidense, Goiânia e outras equipes do interior já encerraram contratos e liberaram atletas. Receber salários, no entanto, não está garantido entre os jogadores dos clubes europeus de menor expressão.

“O clube já está com salários atrasados. Acredito que, com essa paralisação, tudo pode piorar”, comentou o volante Luiz Fernando, natural do Rio. “Não é uma certeza (que vai receber). Penso que sim, continuamos treinando diariamente. Fizeram até uma grade de treinos que devemos seguir, tudo on-line”, salientou o zagueiro Pedro Henrique.

Apesar da incerteza, os atletas alegam que a prioridade, agora, é controlar a pandemia. Distantes das famílias, muitos procuram em veículos de jornalismo do Brasil informações sobre o avanço do coronavírus.
“Minha avó tem diabetes (grupo de risco), sempre procuro assistir aos telejornais e oriento meus tios e pais que estão com ela para os cuidados. Nós não sabemos a real situação da doença no Brasil, temos de nos prevenir ao máximo”, disse o meia Renan Oliveira.

“Todos os dias, falo com meus familiares. Espero que todos se conscientizem para superarmos essa doença. Vida e saúde estão à frente dos valores financeiros e outras coisas neste momento. A preocupação é grande”, pontuou o lateral esquerdo Rafael Furlan.