Jogador com mais tempo de clube do atual elenco do Atlético-GO, o meia Jorginho, que está no clube desde 2013 e teve saídas por empréstimo, mas voltou em seguida - tem experiência com confinamento. Mesmo que de um jeito diferente, o jogador passou por isso na Arábia Saudita (2018). O camisa 10 rubro-negro também viveu situações de risco de epidemia, em 2015, quando foi emprestado ao Seongnan FC, da Coreia do Sul.

“Não é como agora. Na Correia (do Sul), houve um período em que as pessoas usavam máscaras. Havia uma onda de problemas respiratórios, todos se precaviam e passei a usar máscara. De onde eu morava até o clube, era bem perto, mas eu usava. Nas viagens, geralmente o time usava metrô. Também tinha de usar. Por lá, a vantagem é que se for preciso ficar seis meses usando máscara, os coreanos vão ficar”, citou o camisa 10.

Em 2015, Jorginho foi se habituando ao cotidiano do clube e da Coreia do Sul quando o país atravessou e enfrentou a chamada síndrome respiratória do Oriente Médio. O meia voltou ao Atlético em meados daquele mesmo ano.

Depois, em 2018, lidou com o confinamento quando passou temporada completa no Al-Qadisiyah, da cidade saudita de Khobar. “Lá, tinha de ficar em casa porque não havia opções durante o dia. Era muito calor, temperaturas acima de 40 graus. Às vezes, até 50 graus. Tentava dormir e, à noite, saía para treinar. Consegui lidar com isso. Espero que possamos sair rápido dessa crise do coronavírus, que todas as pessoas possam voltar ao trabalho, à sua rotina”, disse Jorginho, que tem dividido o dia a dia em várias atividades, junto com a família, no período de isolamento social por causa da pandemia e da paralisação das atividades no futebol.

Uma das coisas que faz, durante o dia, é cuidar do filho recém-nascido, Jorge Emanuel, de dois meses, e do primogênito, Theo, de dois anos, na fase de quarentena. “É um tempo precioso. Procuro aproveitá-lo ao máximo. Troco fraldas, faço mamadeiras, dou banho, cuido bem deles”, contou Jorginho que, de tanta preocupação e precaução com o coronavírus, chega a dar banho nos meninos três a quatro vezes por dia, além de fazer o uso frequente de álcool em gel.

Além disso, o camisa 10 do Dragão procura brincar com os pequenos junto com a mulher, Gleicy Acioli. À distância, também monitora os pais, Manoel e Maria do Socorro, que estão nos grupos de risco, por idade.

Jorginho ainda tira tempo para disputar jogos on-line com o meia Matheuzinho - eles disputam sinuca virtual. “Eu sou melhor que ele (Matheuzinho) no jogo”, brinca, citando que ainda mantém contatos com outros colegas de clube por meio do grupo de WhatsApp do elenco do Atlético.

O meia também treina no condomínio onde mora, por cerca de 30 minutos diariamente, em um local aberto em que faz corrida e exercícios de core (fortalecimento muscular e abdominais) para tentar manter a forma. “Prefiro ser mais cauteloso. Não posso me expor nem expor as pessoas. Procuro fazer (treinos) quando não há ninguém por perto”, detalhou o jogador. Além desse trabalho, usa a piscina da casa para complementar a atividade, sem saber quando voltará aos treinamentos normais, no Atlético, que liderava o Estadual e tinha vantagem de dois gols sobre o São José-RS, na 3ª fase da Copa do Brasil, quando os campeonatos forma suspensos.

E a barba?

Na onda dos atletas e personalidades que estão aderindo ao corte da barba, como o oposto Wallace, da seleção brasileira de vôlei, Jorginho revelou que, nos últimos dias, a mulher dele já tocou no assunto. “Não sei. A minha barba não cresce muito. Procuro lavá-la bem, sempre. Mas, agora, estou pensando”, afirmou o jogador, sobre o fato de que a barba pode favorecer a proliferação do vírus, por se tratar de um local propício à retenção de gotículas de saliva.