Goiás/Universo e Aliança fazem, neste domingo (10), às 16h, no CT Buriti Sereno, a 3ª rodada do 2º turno do Campeonato Goiano de futebol feminino. Se sair com vitorioso, o alviverde, vencedor do 1º turno da competição, será campeão goiano. Em caso de empate ou vitória do Aliança, as equipes voltarão a se enfrentar em uma final disputada em dois jogos, nos dias 17 e 24 de novembro.

Na preparação, o glamour do futebol masculino profissional passa longe dos gramados das meninas. Goiás e Aliança têm mais coisas em comum do que a busca pelo título do Goianão 2019. Além de querer visibilidade para a categoria, os times recrutam atletas e sonhos.

A equipe esmeraldina buscou em Goianorte, no Tocantins, Jaielly Gomes, volante. O Aliança trouxe de Cristalina, há dois anos, Débora Francisca Xavier, zagueira. Times opostos, histórias comuns. As duas compartilham admiração e inspiração, que vão além do futebol, pela melhor jogadora do mundo, Marta. A “rainha”, natural de Dois Riachos, cidade alagoana, passou por todas as dificuldades que vivem, atualmente, as duas atletas dos times goianos.

As duas atletas estão pela primeira vez em times que disputam competições oficiais. Aprenderam a jogar bola na rua. Chegaram a participar de equipes femininas em suas cidades, mas só jogavam partidas amadoras. A divergência entre as jogadoras entra em campo quando o assunto é o futuro do futebol feminino.

 

Jaielly, que está na modalidade há três meses, ainda é otimista. Débora se considera “pés no chão” e, apesar do pouco tempo no Aliança, teve oportunidade de jogar o Campeonato Brasileiro da Série A2. Ela conhece melhor a realidade da categoria.

“Hoje, é obrigatório ter time feminino para participar da Série A. Se não fosse isso, os times não se importariam. Todo ano de Copa do Mundo Feminina falam que nossa modalidade será mais valorizada, mas nunca é. O futebol feminino precisa de mais visibilidade”, disse Débora.

Jaielly é a atleta mais jovem do Goiás. Depois de passar pela peneira do time, mudou com toda a família para Goiânia. A mãe Neirivane Gomes, o pai Jásio Pires e os irmãos Jennify e Janiel apoiam o sonho da jogadora.

“Sempre quis ser jogadora, é um sonho desde pequena. No decorrer da vida, apareceu essa oportunidade no Goiás. Eu que fiz a inscrição pelo e-mail. Falei com minha mãe, ela apoiou. Quando passei, ela ficou muito feliz. Ela também joga, é goleira, então sempre me apoiou”, disse Jaielly.

A volante do clube esmeraldino cursa 3º ano do Ensino Médio. Deixar os estudos de lado para seguir no futebol não é uma opção. A pretensão é seguir com os dois. Jaielly perdeu o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste ano por ter se mudado para Goiânia. Ela chegou a fazer a inscrição, mas teria de fazer prova no Tocantins e optou por não ir. Pretende fazer a prova no ano que vem. Além disso, o Goiás tem parceria com a Universo e a atleta, que quer cursar Educação Física, pode conseguir uma bolsa.

Apesar de ter chegado na equipe sub-17, a jogadora integra a equipe adulta devido ao seu potencial. Robson Freitas, técnico do Goiás, é cauteloso com a garota que não teve base no futebol. Para o treinador, é importante que as jogadoras saibam que são capazes, por isso, assume toda a responsabilidade do jogo.

“É uma garota que tem potencial enorme. Na peneirada, conseguimos enxergar isso nela. É um pouco imatura porque não desenvolveu muito na cidade de onde veio. Trabalhamos pouco a pouco. É bastante técnica e chega com facilidade no ataque. Começou no banco, mas, há dois jogos, é titular”, disse Robson sobre a caçula do time.

A maior dificuldade da atleta é na adaptação à cidade grande. Quase perdeu a peneira por não encontrar o local. O CT do Universo fica na Rua 90, no Setor Sul, em meio às obras do viaduto que está em construção na região. No entanto, nada é mais difícil do que andar de transporte coletivo.

“No começo, foi bem difícil porque nunca tinha andado de ônibus. Agora, estou pegando o jeito, decorando os lugares. Aqui é bem grande, diferente”, disse a jogadora do Goiás.

O problema de adaptação ao transporte coletivo da capital não é exclusivo de Jaielly. A zagueira do Aliança Débora compartilha da situação da rival e dá risadas quando tenta compreender a lógica dos ônibus. A jogadora foi acolhida pelo técnico Luiz César e veio para Goiânia com objetivo exclusivo de integrar a equipe de futebol feminino.

“Vim para Goiânia em busca de um sonho, ser jogadora de futebol. No interior, é muito difícil, os times são pequenos. Quero ser profissional. Faço faculdade de Educação Física para atuar na área do futebol. Se não for jogadora, quero ser treinadora ou professora”, contou Débora.

Telma Sousa e José Martins, pais de Débora, ficaram na cidade natal e deixaram a filha aos cuidados da tia Santana Sousa, mas não sem antes fiscalizar o clube Aliança. O casal apoia o sonho da filha e acompanha a carreira de perto.

“Meus pais vieram para Goiânia para ver se realmente era confiável e verdadeiro. Acharam o Aliança um time muito bom, profissional, que acredita muito nas meninas. O time dá apoio total para a gente crescer, acredita e investe no futebol feminino”, falou a zagueira.

O técnico do Aliança apoia a atitude dos pais de Débora. “É uma atleta nova, está subindo agora e já nos acompanhou em algumas partidas do Brasileiro (Série A2). Temos de ter cautela para não queimá-la. Temos essa preocupação porque confiamos que vai nos dar bons frutos”, falou o treinador.