Catarinenses e gaúchos ensaiam os primeiros passos para o retorno do futebol. Em Santa Catarina, o governo estadual liberou os treinos em centros esportivos e a federação local deseja terminar o Campeonato Catarinense em campo, a partir do início do mês de junho. No Rio Grande do Sul, a previsão é para retorno em meados de julho e sem rebaixamento à 2ª Divisão. Jogadores dividem opiniões sobre o retorno aos treinos em razão do momento sanitário que o Brasil atravessa.

Em Santa Catarina, o governo publicou decreto liberando os treinos e levou em consideração as análises feitas do quadro de avanço da pandemia do coronavírus no estado, além da capacidade de atendimento da rede de saúde. Ainda assim, os clubes terão de cumprir protocolo com 24 itens e aguardam a liberação dos municípios para retornar. A Federação Catarinense de Futebol almeja retomar o torneio no dia 5 de junho.

O goleiro Ivan, do Joinville, campeão goiano pelo Goiás, em 2016, disse que concorda com as regras que as autoridades tomaram até o momento, mas ressaltou que está satisfeito com a possibilidade do retorno. “Eu concordo com a parada, sim. Mas, por mim, já estaríamos treinando. Várias atividades já estão normalizadas. Sou da opinião de que se tem de parar, que pare tudo”, opinou.

O Joinville publicou que está em preparação para retornar aos treinos e que já tem o aval do prefeito Udo Döhler (MDB).

Outra figura conhecida do futebol goiano que atua no futebol catarinense é o volante Diego Fumaça, ex-Goiânia e Atlético-GO. O jogador, que defende o Marcílio Dias, disse que está ansioso para voltar aos treinos, mas, ao mesmo tempo, está com um pouco de medo. “Estou com muita vontade de voltar a treinar e jogar, mas com receio porque essa doença já mostrou que não se pode brincar com ela”, destacou Diego Fumaça, que está em Barbacena-MG.

No Rio Grande do Sul, a dupla Inter e Grêmio está treinando. Um decreto do governo gaúcho permite que os clubes só façam atividades com atendimento individualizado, em regiões classificadas como bandeira laranja - de risco moderado de contágio. É o mesmo caso de Caxias do Sul, onde está o goleiro Marcelo Pitol, ex-Vila Nova, que defende retorno seguro.

“É um situação muito ruim que está acontecendo no mundo. O mais importante é a saúde, a tranquilidade para quando houver o retorno no futuro de todas as atividades. Vamos ter cautela e sabedoria”, disse Pitol.

A Federação Gaúcha de Futebol deliberou, em reunião com os 12 participantes do Gauchão, que a competição será terminada em campo. A previsão é para o fim de julho ou começo de agosto. Outra resolução que será definida nesta quarta-feira (13) é sobre a suspensão do rebaixamento em caráter excepcional. Dessa forma, o Campeonato Gaúcho de 2021 teria quatro clubes rebaixados.

Passagem pelo interior é abreviada para os atletas

A indefinição gerada em torno de uma data para retorno dos campeonatos estaduais fez com que jogadores encerrassem suas passagens pelos clubes antes do previsto. As situações dos atacantes Moisés e Jarlan são exemplos disso.

Formado nas categorias de base do Goiás e com passagem pela Aparecidense, o atacante Jarlan foi para o Aimoré jogar o Campeonato Gaúcho e abrir um novo mercado em sua carreira. No entanto, devido à pandemia, sua campanha pelos pampas gaúchos foi abreviada. “Meu contrato era até o fim do Gauchão, mas já estava conversando para ir para outro lugar. Como não acabou, vou rescindir”, explicou Jarlan, que passa o período de distanciamento social em Rio Sono, no interior do Tocantins, junto da família.

O atacante Moisés, ex-Anápolis e Vila Nova, teve pouco tempo com a camisa do Novo Hamburgo. O jogador foi apresentado no início de fevereiro ao novo clube, mas, em meados de março, viu as competições serem paralisadas. Com isso, Moisés voltou para Goiânia e não vai defender mais a equipe gaúcha. A intenção é jogar por um clube goiano no segundo semestre.