Em casa, em São José dos Campos (SP), a lutadora goiana Laís Nunes acompanha atenta as notícias sobre os Jogos Olímpicos de Tóquio. Natural de Barro Alto, a 250 km de Goiânia, a atleta precisa saber quando viajará para o Japão, pois tem vaga garantida para disputar na luta olímpica (wrestling), categoria até 62kg, sua segunda Olimpíada na carreira.

A euforia pela conquista do objetivo traçado há quatro anos se contrasta com o de preocupação com o cenário mundial devido à pandemia do novo coronavírus. A atleta brasileira se cerca de cuidados e espera que o “pesadelo” passe o mais rápido possível para que o esporte possa voltar a ser sua principal atenção.

Laís Nunes participou, na última semana, da Seletiva Pan-Americana realizada em Ottawa, no Canadá. A goiana precisou passar por três oponentes no torneio para garantir vaga em Tóquio. “Ter conquistado a vaga foi muito importante para mim, pois é minha segunda Olimpíada e esses últimos quatro anos foram muito difíceis, de muitas mudanças. Foi uma vitória para mim, pois foram quatro anos muito sacrificantes”, explicou Laís Nunes, que neste período também ganhou uma medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Lima, em 2019, e chegou a ocupar o 2º lugar no ranking mundial de sua categoria.

Passada a emoção da classificação, Laís Nunes projeta voos mais altos em Tóquio. Diferente de sua primeira participação, quando lutou no Rio de Janeiro, em 2016, e saiu logo na estreia, Laís Nunes está mais madura e sonha em subir ao pódio.

“Claro que penso em mais, em uma medalha olímpica em Tóquio. A classificação obtida no Canadá foi uma chance de ficar ainda mais perto desse sonho”, ressaltou Laís Nunes.

A lutadora goiana agora vive outra expectativa. A princípio, a abertura da Olimpíada de Tóquio está prevista para o dia 24 de julho. No entanto, existe muita pressão para que essa data seja adiada por causa da pandemia do novo coronavírus. Laís Nunes acompanha essa situação e, em isolamento social, treina em casa como pode.

Para ela, o importante é que tudo seja resolvido com preservação do maior número de vidas e da saúde das pessoas.

“Estou em paz, fiz o que tinha de fazer, que era conquistar a vaga. Estou esperando o melhor. Penso que tanto o COI como o COB vão tomar as melhores decisões pensando na saúde e no bem-estar dos atletas e das pessoas em geral”, frisou.

A lutadora goiana, única representante do Estado que já tem vaga garantida em Tóquio, acredita que, se os Jogos Olímpicos fossem adiados para o final deste ano, seria uma boa alternativa. No entanto, Laís Nunes acredita que a situação pode melhorar em breve e a programação possa seguir como previsto.

“De repente, se adiasse para dar mais tempo para todos os atletas se prepararem melhor, seria uma competição mais justa. Mas, ao mesmo tempo, fico pensando que tudo pode voltar ao normal o quanto antes. Se isso não acontecer, acho que seria melhor colocar mais para o fim do ano”, frisou Laís Nunes.

Após voltar do Canadá, Laís Nunes teve uma semana de descanso e tem feito treinos em casa. “Estou bem. Essa semana foi de descanso ativo. E a luta continua, vou continuar treinando e me preparando como dá. No fim, vai dar tudo certo, eu creio. Espero que mais atletas goianos consigam a vaga, inclusive minha amiga e companheira de treino Kamila (Barbosa). Quanto mais de nós, melhor”, salientou a goiana de Barro Alto.

Incerteza

Kamila Barbosa é natural de Goianésia e ainda vive a incerteza de uma vaga em Tóquio. A aflição da lutadora, que participa da categoria até 50kg, é maior. Para carimbar seu passaporte e chegar a sua primeira Olimpíada, Kamila ainda terá de passar pelo torneio pré-olímpico marcado para ser realizado na Bulgária. O problema é a data. A competição estava agendada para o mês de maio, mas foi adiada para junho. A lutadora espera que isso não mude.