Jogadores extenuados, jogados ao chão. O técnico Eduardo Barroca transpirando. Abraços entre atletas e comissão técnica. Torcida cantando na arquibancada. Teve tudo para dar errado de novo, de repetição do empate amargo no final, mas o Atlético virou a situação adversa, venceu o Londrina, no sufoco, por 2 a 1, ontem à noite, no Estádio Antônio Accioly.

Uma ajudinha veio do uniforme. Em vez de utilizar o principal, número 1, rubro-negro, o Atlético usou o número 2, de cor predominantemente branca, a pedido da direção. Valia todo o esforço, e superstição, para espantar a má fase.

O volante Moacir disse que havia sentimento de alívio no vestiário por causa “do sofrimento dos nossos jogos”. Ele relembrou empates dolorosos. “A lição que ficou foi contra o América-MG (empate por 2 a 2 após abrir 2 a 0), contra o Operário-PR foi uma fatalidade (falha de Kozlinski). É comemorar. Não tem muito tempo pra isso, mas essa noite vai ser tranquila”, afirmou o jogador.

A vitória faz com que o Dragão volte ao 3º lugar, com 54 pontos, para buscar encaminhar o acesso à série A. Agora, o Atlético sai para dois jogos decisivos fora: sábado, diante do CRB, em Maceió, e na terça-feira, contra o Oeste, em Barueri (SP).

Neles, o Dragão precisará conquistar pontos para não perder posições na classificação e se manter vivo na disputa pelo acesso à Série A. Mas terá de corrigir problemas. Espera-se que o emocional, preocupação de todos, possa se restabelecer. Afinal, tudo conspirou contra. O time desperdiçou pênalti, com Mike, no primeiro tempo. Abriu o placar com gol contra de Dirceu, mas sofreu gol de empate aos 42 minutos, em nova falha de Maurício Kozlinski. Ele puxou para o gol a bola cabeceada por Matheuzinho - na súmula, foi dele, contra. Os fantasmas voltariam? Rodrigo Rodrigues tratou de espantá-los, aos 45 minutos, em gol salvador.

“Parecia um filme de terror. O Gilvan já saiu ali pagando geral, mas pedi calma a ele. Como é capitão, tem de cobrar mesmo. Ao Aylon, pedi ‘vamos que tem tempo ainda’. Tem uns mais esquentados e uns mais equilibrados”, comentou Moacir sobre o momento em que o Atlético levou o empate.

Eduardo Barroca precisava da primeira vitória - sob comando dele, foram três empates. Para conquistá-la, o treinador trabalhou o emocional do elenco, ainda abalado pela perda de pontos preciosos. Porém, psicologicamente o time voltou a mostrar nervosismo, ansiedade, impaciência à medida que o jogo se desenvolvia.

“O Atlético já vem há um tempo merecendo essa vitória. Dos jogos em que estive presente, o jogo em Ribeirão Preto, foi um 0 a 0 justo. Mas, contra o América-MG e o Operário-PR, a gente já merecia a vitória. Jogamos melhor, criamos mais oportunidades. É uma vitória importante para quebrar essa sequência que a gente vinha vivendo”, comentou o técnico Eduardo Barroca, após sua primeira vitória no comando do Dragão.