O funcionamento de campos e quadras que são alugados para atividades esportivas em Goiânia está proibido. Mesmo assim, nesta quinta-feira (30), a reportagem encontrou alguns lugares que insistem em manter atividades durante uma ronda por campos e quadras de Goiânia para futebol society e futevôlei. Foram visitados 14 locais em nove bairros, e a maioria estava fechada. Um lugar que chegou a abrir no início da semana estava, desta vez, com as portas fechadas.

No bairro Santo Antônio, um grupo de cerca de 20 pessoas jogava futebol. Em uma quadra de areia no Setor Bueno, quatro praticavam futevôlei. Outro espaço com equipamento de areia, localizado no Jardim Europa, estava aberto. Um funcionário explicou que o estabelecimento só está repondo aulas e exige que alunos usem máscara. Após a saída da reportagem, o local foi fechado.

Um outro, no Jardim Atlântico, estava com as luzes acesas, mas sem qualquer pessoa dentro. No Parque Amazônia, um espaço de futevôlei funcionava, mas quem jogava, um grupo de cinco pessoas, não quis conversar com a reportagem.

Há pelo menos dois tipos de Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), que é utilizada para definir o que pode ou não abrir durante a quarentena, para espaços de aluguel de campos e quadras. São eles “aluguel de equipamentos e esportivos” e “gestão de instalações de esportes”. Ambos têm o status de “bloqueado” no sistema do governo de Goiás.

Alguns locais também possuem outros CNAEs, como “restaurantes e similares” e “lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares”. Para esses serviços, o status é de “bloqueado, autorizado somente por drive thru ou delivery”.

O Governo de Goiás disponibilizou um endereço (https://www.go.gov.br/home) para consultas online e informações se o estabelecimento está proibido ou não de funcionar. O POPULAR consultou situações de pelo menos cinco empresas que alugam espaços para práticas esportivas e confirmou o status “bloqueado” para a atividade.

Uma academia de tênis no Jardim América estava em funcionamento, o que o decreto não permite, de acordo com a consulta feita pela reportagem no sistema do governo. As atividades de “ensino de esportes” aparecem com status de “bloqueada, autorizada somente o trabalho ou atendimento remoto, exceto para as atividades administrativas”.

Em Goiânia, a prefeitura estabeleceu que postos de combustíveis, panificadoras, farmácias, supermercados, lotéricas e bancos devem abrir em horários escalonados. Em relação a estabelecimentos que fornecem serviços para práticas esportivas, no entanto, o município segue o decreto estadual.

A partir desta semana, a prefeitura passou a notificar estabelecimentos, que podem ser fechados e multados em até R$ 10 mil, se for constatado o descumprimento das regras de funcionamento. Segundo a prefeitura, a Guarda Municipal, Vigilância Sanitária e Polícia Militar ganharam poderes de fiscalização e direito de autuação.

“A prefeitura de Goiânia vai intensificar a fiscalização para que o decreto em vigor seja cumprido. O momento é de cuidado redobrado para conter o avanço da pandemia. Por isso, os estabelecimentos com funcionamento irregular serão notificados, fechados e, no caso de reincidência, multados”, informou a prefeitura em nota enviada à reportagem.

Especialistas apontam chance de infecção

Durante a disputa de um jogo, na saída da quadra, no contato com algum colega, na conversa com pessoas sentadas e até mesmo nos vestiários é como um praticante de qualquer esporte corre o risco de contrair o novo coronavírus.

“Todo esporte que leve contato próximo entre pessoas, de um metro, dois metros, deve ser evitado. Esportes coletivos (amadores ou profissionais) não podem ser disputados no meio da pandemia, com orientações de isolamento. É simples assim. A recomendação é que procurem outro esporte que possa ser disputado, mas, se for o futebol, que seja sozinho em casa chutando a bola para um golzinho”, disse a infectologia da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Raquel Stucchi.

Para o médico infectologista Leonardo Weissmann, só de praticar esportes com aglomeração, o risco de contaminação aumenta. “É inaceitável que isso ocorra. A recomendação é permanecer em casa, não tem outra saída neste momento. Pessoas em campos society, então, não deveria ocorrer. A distância é menor do que um campo de futebol profissional. O risco está em todos os lados”, salientou o especialista.

Na Bélgica e Holanda, pesquisadores estudam a possibilidade de praticantes de atividades físicas ao ar livre deixarem gotículas que podem transmitir o coronavírus pelo ar. O trabalho ainda não foi publicado no meio científico.

“Mas já nos dão indícios de que o alcance das gotículas pode ser maior. Há situações em que pesquisadores (na Finlândia) fazem testes em ambientes fechados com corredores, velocidade e vento controlados. Não replicam a situação real, mas apresentam indícios de que mais pessoas podem ser atingidas por gotículas e espalhar a doença, caso alguém esteja contaminado”, comentou Wladimir Queiroz, médico e consultor da SBI.