Todos os clubes que disputam o Campeonato Goiano informaram que vão liberar jogadores durante a suspensão do Estadual, feita após recomendações do Governo de Goiás e da CBF, ambas aceitas pela a Federação Goiana de Futebol (FGF). A maioria dos 12 participantes do Goianão, no entanto, terá de rescindir contratos ou prorrogar vínculos com jogadores. Atlético, Goiás, Goiânia, Grêmio Anápolis e Vila Nova possuem atletas com tempos de contratos superiores ao período de disputa da competição.

As únicas equipes que não definiram as situações contratuais dos jogadores foram Iporá, Goianésia e Jaraguá. Atletas dos três clubes possuem vínculos até o dia 30 de abril. De acordo com especialistas consultados pelo POPULAR, não é recomendado que rescisões de contratos sejam realizadas sem pagamentos do restante do vínculo (leia no texto abaixo).

“Neste momento (14h34 desta quarta-feira) estou na frente de cinco atletas, vou conversar com eles por grupos para comunicar que acabou o campeonato. Vou negociar com os atletas algo que seja bom para nós e eles, mas vou ter de rescindir todos os contratos. O acerto aqui (na Aparecidense) é tranquilo, eles (jogadores) sabem que somos pessoas sérias”, disse o diretor de futebol do Camaleão, João Rodrigues, o Cocá.

Dos clubes que disputam o Goianão, metade não possui calendário para a temporada completa. O Goiânia é um dos que estão confirmados em competição nacional - a Série D do Campeonato Brasileiro - no decorrer do ano, mas boa parte do elenco só tem contrato até a data em que terminaria o Goianão.

“Já comunicamos os atletas que todos serão liberados. Quem não tem vínculo até a Série D, cerca de 17 jogadores, vamos pagar tudo e aguardar os términos dos contratos. Os outros 15, a ideia é pagar os salários, sem direito de imagens, e aguardar o retorno das competições. Se os contratos acabarem, vamos negociar novamente”, frisou o presidente do Galo, Alexandre Godoi.

Entre 300 e 400 atletas terão vínculos encerrados durante a paralisação do Estadual. “Queremos prorrogar contratos de 80% do elenco, os outros vão continuar em vigor até 30 de abril, todos com pagamentos sendo realizados. A diretoria vai se reunir para oficializar a melhor decisão”, comentou Raimundo Silva, diretor administrativo do Grêmio Anápolis, que informou que pretende manter parte do elenco durante a suspensão.

Anápolis e Anapolina explicaram que os atletas dos clubes serão liberados, mas todos vão receber contatos da diretoria para negociar rescisões. “Vamos fazer acordos com todos os jogadores, cada caso será analisado, mas, além dos atletas, tem a comissão técnica. Temos condições financeiras para quitar com todos”, afirmou o presidente do Galo da Comarca, Marlon Antônio Caiado.

A ideia da Anapolina é, além de negociar rescisões com jogadores, aproveitar o período sem treinos para recuperar gramados do centro de treinamento. “As únicas pessoas que devem ficar aqui são funcionários da manutenção dos campos e seguranças. Temos quatro campos que precisam ser revitalizados. Os outros funcionários e jogadores, cerca de 40 pessoas, serão dispensados. O prejuízo será grande”, salientou o presidente do Conselho Deliberativo da Rubra, Pedro Canedo.

Os clubes reconhecem que correm riscos de receber ações trabalhistas, caso não consigam honrar com compromissos firmados com atletas, mas alegam que não temem disputas na Justiça porque rescisões estarem sendo realizadas pela suspensão do Goianão, ocasionada pela pandemia do novo coronavírus.