Não faz muito tempo que a chamada pira parapan-americana se apagou ao final dos Jogos de Lima, no Peru, concluídos no início do mês e marcantes para o esporte brasileiro, que dominou o quadro de medalhas pela quarta vez na história e pela quarta edição consecutiva (anteriormente em 2007, 2011 e 2015). Ainda assim, o desejo por mais conquistas arde como fogo dentro dos atletas goianos que já têm ou ainda sonham com um lugar na Paralimpíada de Tóquio, no Japão, a ser iniciada no fim de agosto de 2020.

Ao todo, 15 esportistas de Goiás integraram a delegação do Brasil na competição em solo peruano. Deles e delas, em disputas no vôlei sentado, natação, basquete em cadeira de rodas, tênis de mesa e futebol de 7, vieram 19 medalhas, mais de 6% das 308 conquistadas pelo País, marca recorde.

Uma das medalhas, de cor prata, mas com peso de ouro pela vaga paralímpica que trouxe, veio com a seleção feminina de vôlei sentado. Se contabilizarmos todos os representantes goianos, a equipe foi a única com atletas do Estado a garantir presença nos Jogos de Tóquio já por meio do Parapan.

Será a terceira Paralimpíada da carreira da atacante goianiense Adria de Jesus, de 35 anos, que teve parte da perna esquerda amputada após ser atropelada na garupa de uma moto. A experiência de quase duas décadas no esporte demonstrou à ela, eleita melhor bloqueadora do torneio em Lima, o caminho para o êxito. “Será um ano para preparação e passa muito rápido. Já começou a contagem regressiva. Temos de esquecer o que passou, começar do zero e buscar a melhor preparação física e emocional”, afirmou Adria, que, juntamente com Jani Freitas e Nurya de Almeida, colocou Goiás no pódio parapan-americano. Além delas, Pâmela Pereira, Gabrielle Marchi e Camila Maria de Castro, que não são goianas, mas que, assim como Adria, Jani e Nurya, atuam pela Associação dos Deficientes Físicos de Aparecida de Goiânia (Adap), completaram o time prateado do Brasil.

Esporte linha de frente no potencial de conquistas de medalhas para o Brasil, a natação teve goianos brilhando em Lima. O catalano Ruiter Silva foi o maior medalhista do Estado, com três ouros e três pratas. Ítalo Gomes, tocantinense de nascença, mas que vive em Goiás desde a primeira infância, levou uma prata. O goianiense Vanilton Filho, de 26 anos, conquistou dois ouros, uma prata e dois bronzes.

Por causa do peso menor de ranking, os Jogos Parapan-Americanos não deram vagas à Paralimpíada na natação. Os atletas brasileiros terão o Mundial, entre os dias 9 e 15 deste mês, além de seletivas durante o próximo ano para obterem marcas que lhes garantam em Tóquio.

Para Vanilton, que tem uma má formação congênita na parte superior do fêmur direito, a chave para chegar lá é valorizar o conjunto. “Tem os treinos, o descanso, a alimentação. É preciso ter atenção redobrada na parte nutricional e psicológica. E tem o cuidado de toda a galera que está em torno disso. Não fui só eu que estive lá e colhi os resultados”, disse o nadador, novo detentor do recorde parapan-americano dos 100 metros borboleta.

“Inicialmente, era algo que não acreditava que fosse possível”, revelou ele, que optou por se mudar para Uberlândia, em Minas Gerais, para se tornar atleta do Praia Clube, equipe de ponta do esporte no País.