Jorginho foi o treinador escolhido pelo presidente do Atlético-GO, Adson Batista, para dirigir o time na sequência da temporada 2021. A equipe atleticana terá calendário cheio e desafiador - Goianão, Copa do Brasil, Sul-Americana e Série A nacional.

No futebol goiano, Jorginho chega ao lado do preparador físico Joelton Urtiga e terá a segunda experiência na carreira no Estado - em 2010, dirigiu o Goiás em parte do Brasileirão e da Copa Sul-Americana, nos quais os resultados foram irregulares, até ser demitido após a goleada de 4 a 1 para o Grêmio Prudente, no dia 6 de novembro.

As metas para Jorginho, de 56 anos, são básicas: conquistar o tricampeonato do Goianão, garantir o clube na Série A 2022, fazer boas campanhas na Copa do Brasil e na Sul-Americana.

A intenção de Adson Batista é dar uma nova oportunidade a um dos maiores vencedores do futebol brasileiro em campo, como jogador, mas que precisa se firmar na carreira de técnico. Ano passado, Cristóvão Borges e Vagner Mancini foram duas apostas atleticanas - o primeiro ficou pouco tempo e foi demitido, enquanto Mancini fez bom trabalho e depois se transferiu para o Corinthians.

Após desempenho fraco no Coritiba, ano passado, Jorginho terá o desafio de fazer um clube em ascensão evoluir em termos técnicos e táticos na temporada. E provar que pode ser regular o ano todo.

No Atlético-GO, Jorginho terá de provar que pode ter temporada regular e vitoriosa em mais de uma competição. Nem sempre foi assim na carreira. O melhor trabalho do novo treinador atleticano, na Série A, foi pelo Figueirense-SC, há dez anos (2011), quando levou o time catarinense ao 7º lugar. Outros bons momentos foram no Vasco, em 2016, quando ganhou o título do Carioca e obteve acesso da Série B à Série A.

Há dois anos, em 2019, Jorginho conseguiu levar o Coritiba à Série A. Na temporada seguinte, não repetiu o bom trabalho.

No Goiás, Jorginho conseguiu fazer o time eliminar o Peñarol (Uruguai) nas oitavas de final, mas após empate de 2 a 2 com o Avaí-SC (quartas de final) e a goleada para o Grêmio Prudente-SP, caiu. Meses antes, vinha de uma dolorida eliminação na Copa do Mundo (2010), na qual foi auxiliar de Dunga desde 2006.

Na Ponte Preta, em 2013, Jorginho viveu boa fase, intercalada com as dificuldades na elite nacional e bons resultados na Sul-Americana. Ele pegou o time virtualmente rebaixado na Série A, mas conseguiu erguê-lo, levando-o à final da competição continental - a equipe paulista foi vice-campeã ao perder a final para o Lanús (Argentina).

Marcelo Cabo (ex-Atlético e hoje técnico do Vasco) era auxiliar e Jorginho. Na visão de Cabo, Jorginho ainda será um dos grandes técnicos do futebol brasileiro. “Ele (Jorginho) está entre os melhores treinadores com quem pude trabalhar. Tem um tratamento diferenciado com o jogador, dentro e fora de campo. Sabe se expressar, é positivo trata as pessoas com respeito e educação”, citou o meia Elias, ex-Atlético-GO e Ponte Preta e atualmente no Iporá. Elias ficou surpreso ao saber da contratação de Jorginho para dirigir o Dragão. Disse que o clube fez uma escolha acertada. “O futebol funciona muito com os resultados. Espero que ele (Jorginho) tenha tempo para trabalhar”, acrescentou Elias.

Naquele período da Ponte Preta, o responsável pela contratação de Jorginho foi o então presidente Márcio Della Volpe. Segundo ele, o clube vivia fase ruim na Série A e tinha pontuação ruim no 1º turno. Jorginho chegou e tratou de levantar a autoestima do elenco, que disputaria a Sul-Americana. “Foi um trabalho muito bom. É um técnico de grupo, prepara com atenção o time e faz os jogadores entenderem a importância de cada jogo, do evento. E consegue extrair do jogador o que de melhor pode dar”, comentou Márcio Della Volpe.

Os resultados começaram a aparecer no Brasileirão e na Sul-Americana. “Os nossos resultados foram bons no 2º turno. Eu não me lembro quantos pontos fizemos, mas se tivéssemos feito campanha igual no 1º turno, não teríamos sido rebaixados”, comparou o dirigente.

“É um ótimo treinador, Sabe ajustar muito bem o time, procura fazer o simples. Vínhamos passando um momento difícil, três treinadores haviam passado pelo clube e ele conseguiu ajustar a equipe em pouco tempo”, lembrou Adrianinho (ex-Vila Nova) e que também foi comandado por Jorginho. “É uma pessoa muito humilde. Várias vezes, vimos o Jorginho carregando saco de bolas, ajudando os roupeiros. Isso era um campeão mundial dando exemplos”, descreveu Adrianinho.