Com o anúncio de auxílio financeiro da CBF ao que a entidade definiu como a base da pirâmide do futebol brasileiro, os clubes goianos que estão na elite do Brasileiro, Atlético-GO e Goiás, foram contemplados com recursos menores (R$ 50 mil, cada) apenas por disputarem a Série A2 do nacional feminino.

O Atlético-GO formou um elenco, recentemente, com a maioria de jogadoras jovens e estreantes na competição. O dinheiro, segundo o clube rubro-negro, não soluciona os problemas do futebol feminino do clube, mesmo que as atletas não tenham salário.

Para o presidente, Adson Batista, pelos investimentos que o clube fez, nos últimos anos, em termos de estrutura, o que a CBF está oferecendo está aquém das necessidades nesse momento. “Precisamos de um auxílio maior. Não é só o Atlético, outros clubes também. O Atlético está numa Série A, fez investimentos para conquistar o acesso, disputa a Copa do Brasil. Não há receita agora. Vamos esperar uma boa ajuda da CBF”, disse o dirigente do Atlético, no inicio da noite desta segunda-feira (6).

Segundo ele, que representará o Atlético numa reunião entre a Comissão Nacional de Clubes (CNC) e a CBF, na tarde desta terça-feira (7), a CBF tem condições de auxiliar os clubes das Séries A e B com recursos financeiros e outro tipo de benesse.

Adson Batista se referia à medida, anunciada um pouco antes pela CBF, no sábado - a isenção das taxas de transferência e dos registros de contratos de jogadores na entidade, também durante o período de paralisação do calendário nacional. A isenção das taxas refresca um pouco os problemas financeiros dos clubes, mas, como o mercado de transações está praticamente paralisado, só deve fazer efeito mais à frente, quando as competições retornarem ao normal.

“Espero que seja uma medida permanente, não só para agora. Ninguém está contratando. Aliás, como contratar, sem recursos?”, indagou o dirigente atleticano. Segundo ele, para remontar o elenco de 2020, o Atlético gastou, nos últimos meses, cerca de R$ 150 mil com as taxas cobradas pela CBF.

De forma inicial, o Goiás diz que pretende utilizar o apoio financeiro, de R$ 50 mil, em investimento no time feminino. A folha salarial da equipe gira em torno de R$ 23 mil e, mesmo com a paralisação das atividades, a diretoria do clube alega que o impacto não tem sido grande na modalidade.

A CBF não informou, no comunicado, como os clubes devem utilizar o apoio financeiro. Os pagamentos serão realizados a partir desta terça-feira (7). “Toda ajuda é muito boa. Vamos procurar saber como podemos utilizar o valor. O Goiás paga salários, assina carteira das jogadoras. Qualquer dinheiro ajuda muito, ainda mais neste momento com a paralisação. Se por acaso destinarmos para pagamento da folha salarial, ajudará bastante já que não chega a esse valor todo”, comentou o presidente esmeraldino, Marcelo Almeida.

Outro dirigente chega a falar em contratação. “Vamos verificar se será possível, mas nossa intenção agora é reforçar o elenco. Com R$ 50 mil, posso procurar alguma jogadora no mercado e ver a possibilidade de pagar rescisão contratual. Sem dúvida, não pouparemos esforços para reforçar o elenco. Nossos salários são baixos e nos planejamos antes, temos uma reserva para esse fim”, explicou o vice-presidente de esportes olímpicos do alviverde, Júnior Vieira, responsável pelo gestão do time feminino do Goiás.

O presidente Marcelo Almeida acredita que, caso a paralisação do futebol se estenda além do mês de abril, a CBF deve iniciar processo de ajuda para os clubes da elite do Brasileirão. “Não posso afirmar que isso vai acontecer, mas já devem estar conversando sobre essa possibilidade”, opinou o dirigente do Goiás, que ainda não pensa em reclamar na entidade por entender que isso vai ocorrer nos próximos meses.

Para o dirigente esmeraldino, este auxílio poderá vir em forma de apoio financeiro, como será feito com clubes das séries C e D do Brasileiro, A1 e A2 da competição nacional feminina. “Por questões éticas, a CBF tem de promover algum tipo de ajuda. No final das contas, são os clubes do Brasil que fazem a CBF. Hoje, ela precisa dar uma retribuição. Não sei como, mas acredito que vai acontecer (na Série A) como foi para o feminino”, salientou o presidente do Goiás.