O adiamento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio, que já era cobrado por países e atletas e foi anunciado nesta terça-feira (24), teve o apoio da comunidade olímpica ao redor do mundo. Após a oficialização do Comitê Olímpico Internacional (COI) da decisão tomada em conjunto com o comitê organizador local e o governo japonês para a segurança dos envolvidos com os eventos, as reações foram de alívio e aprovação.

Foram reações favoráveis de entidades pelo mundo, incluindo o Comitê Olímpico do Brasil (COB) e o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), e atletas, dentre eles medalhistas olímpicos e outros que viviam incerteza sobre a disputa em Tóquio. Os atletas de Goiás, sobretudo aqueles que serão impactados com a decisão, aprovaram o adiamento. Os Jogos podem começar na mesma data, 24 de julho, no próximo ano, mas isso ainda não está confirmado.

Única goiana já garantida nos Jogos Olímpicos, a lutadora Laís Nunes, da categoria até 62kg da luta olímpica (wrestling), viu a decisão como acertada. “Foi a decisão mais sensata. Não é brincadeira, é uma situação muito difícil, não só no Brasil, mas no mundo também. É momento de nos unirmos, é hora de cuidar da nossa saúde e pensar nos outros”, afirmou a atleta de Barro Alto, que está em São José dos Campos (SP), onde mora.

“Com o adiamento, as pessoas que não se classificaram têm uma possibilidade boa de buscar a vaga e nós, que já temos, vamos nos preparar. Muitos de nós não estão conseguindo treinar. Eu não posso fazer treinos técnicos, no tapete. Tenho que fazer o que posso, com o que tenho em casa. Fiquei feliz pela decisão que foi tomada”, continuou Laís.

Outra lutadora goiana, Kamila Barbosa (até 50kg) não está garantida e tem um pré-olímpico marcado para junho, na Bulgária. Ela também mora em São José dos Campos, junto com outros dois atletas de luta olímpica, e aproveita o quintal grande da casa para treinar do jeito que dá.

“Estamos adaptando da melhor forma possível, mas não é o ideal. Há uma semana, eu ia dizer que em pouco tempo essa situação (pandemia) se normalizaria, mas as coisas foram ficando cada vez mais difíceis. Todos os atletas estão sofrendo, mas estamos nos adaptando”, comentou Kamila, que é de Goianésia.

Diogo Villarinho, que busca vaga na natação e na maratona aquática, deixou Belo Horizonte, onde mora e treina, para passar o período de quarentena perto da família, em Goiânia. Até uma semana atrás, o nadador de 26 anos estava treinando no seu clube, o Minas Tênis Clube, que decidiu fechar por causa da escalada do coronavírus.

“A gente vinha se aproximando da seletiva, faltava um mês para a da maratona e um pouco mais para a da piscina. Estava no melhor do treino, chegando bem no nível de competição, fazendo tempos legais na piscina. A coisa começou a piorar e a situação não estava mais sustentável para conseguir treinar”, relatou Diogo, que teve os treinos suspensos na quarta-feira (18).

O nadador, que no ciclo olímpico anterior teve se passar por cirurgia e tratamento por causa de um câncer na tireóide e, assim, teve o sonho da vaga nos Jogos adiado, aprova o adiamento da Olimpíada. Ele, no entanto, afirma que é difícil prever qualquer movimento.

“As coisas vão mudando. O que eu falar hoje pode ser diferente amanhã. Vou vivendo um dia de cada vez. Se a gente puder, o pensamento é na programação começando no final de abril ou início de maio. Aí depende do calendário internacional”, explicou. “Todo mundo continua firme e forte no sonho. É uma situação um pouco frustrante ter que parar tudo, mas a sensação é de que estamos fazendo o nosso dever, que é pensar na nossa saúde.”

“É a medida certa. Chegou o momento em que é questão de saúde pública mundial. Em primeiro lugar, está a saúde. Tem de cuidar da saúde, respeitar e esperar passar a pandemia para voltar tudo ao normal”, disse a ciclista Raiza Goulão, que, neste momento, está fora da Olimpíada de Tóquio.

Raiza teria até maio para buscar pontos no ranking olímpico para tentar ser a melhor brasileira na lista e garantir vaga. Em meio às incertezas causadas pela pandemia e ao cancelamento de provas, a União Ciclística Internacional (UCI) decidiu adotar a data de 3 de março como limite para somar pontos. A ciclista goiana, que está em Itajubá (MG) decidindo se viaja para Pirenópolis, sua cidade natal, afirma que entendeu a decisão e aguarda um comunicado para saber se ela será ratificada. “Fiquei triste por um lado porque perdi a chance de somar pontos, mas a gente tem de pensar mundialmente.”