O controle da pandemia do coronavírus e seus impactos na economia são as grandes preocupações do País no momento. Mas a velocidade com que cada município deve retomar suas atividades econômicas dependerá muito das características de cada um deles: cidades mais dependentes do comércio e serviços devem ser as mais afetadas, enquanto as de perfil industrial e agropecuário devem sofrer menos e ter uma retomada mais acelerada.

É o que mostra o estudo Potencial de Retomada Econômica – Cenários Pós-Quarentena, da consultoria Mapfry, que analisa os impactos econômicos desta crise e aponta os caminhos para recuperação. Os estudos de geomarketing levam em consideração as características que mais sensibilizam a economia durante a quarentena, até aquelas que podem fortalecer sua retomada econômica ao final da crise de saúde.

Goiânia é a 11ª cidade brasileira com maior potencial de recuperação econômica, por ter uma economia dinâmica o suficiente para uma boa retomada. Mas tem desafios, como o controle de novos casos da doença e apoiar ações de suporte à saúde em cidades vizinhas. A capital é seguida por Aparecida e Anápolis, beneficiadas pelo bom nível de desenvolvimento industrial, podendo suportar melhor os períodos de quarentena, mesmo com o crescimento do número de infectados e internados. O fato de Goiás ser forte na produção de alimentos, bebidas e medicamentos, que não parou durante as medidas de isolamento social, é outro ponto favorável.

Aparecida carrega o risco de constante contaminação pela exposição a públicos flutuantes. De acordo com o estudo, um prolongamento da incidência de novas contaminações implicaria no atraso de sua retomada econômica. Mas tanto a capital quanto Aparecida precisam proteger suas atividades industriais, cadeias logísticas e empregos ligados a elas, além de investir na prevenção nas áreas mais carentes para evitar uma explosão de casos, que também seria muito prejudicial para a retomada econômica

Para o secretário de Finanças da Prefeitura de Goiânia, Alessandro Melo, se não fosse a pandemia, a expectativa era de que Goiânia teria um dos melhores anos de sua história em 2020, pois já havia conseguido alcançar o equilíbrio fiscal. Com isso, os setores público e privado trabalhavam em sintonia na realização de investimentos. Mas, apesar da desaceleração imposta pelo momento, ele lembra que as obras no município continuaram. “É uma cidade polo que manteve algum movimento econômico, pois tem fundamentos fortes”, diz.

Hoje, segundo o secretário, a cidade trabalha para manter seu equilíbrio financeiro e não perder todo o trabalho de ajuste fiscal realizado até agora, o que deve possibilitar uma retomada econômica mais rápida. “Não podemos deixar as despesas correntes serem maiores que as receitas. O déficit financeiro não pode ser insustentável, caso contrário, não conseguiremos incentivar o setor privado neste momento”, adverte.

As piores

Já as cidades goianas com pior colocação no ranking, ou seja, com tendência a uma retomada mais lenta de suas economias depois da pandemia, possuem economia restrita e baixa atratividade, sendo que muitos dependem de repasses federais e programas de transferência de renda. Apesar de beneficiadas pela baixa densidade populacional, o que reduz a velocidade de propagação do vírus, elas têm habitantes trabalhando em municípios maiores, que podem ser contaminados em suas jornadas, além de não terem sistemas de saúde para amparar casos graves. O estudo recomenda que zelem pelas normas sanitárias para evitar a propagação e permitir a realização de atividades profissionais.

É o caso de Santo Antônio de Goiás. O prefeito do município, Frederico Marques Oliveira (PSDB), lembra que boa parte da população local presta serviços em Goiânia e cidades da região metropolitana. O município não conta com indústrias para uma maior geração de empregos. Segundo ele, Santo Antônio já sofre com uma forte queda em sua arrecadação de ISS, além de outras receitas locais, como IPTU e ITU. “Com mais dificuldade para obter até alimentos, as pessoas não estão priorizando o pagamento de impostos”, reconhece o prefeito.

Para tentar equilibrar receitas e despesas nestes tempos de orçamento bem mais apertado, a Prefeitura se preparou reduzindo gastos, enxugando a folha de pagamento e cortando gratificações, ainda no último mês de março. Para ajudar a população mais vulnerável e tentar evitar a propagação do vírus, também está doando máscaras, kits de higiene e cestas de alimentos para crianças matriculadas na rede municipal de ensino. “O problema do desemprego se acentuou em cidades como a nossa, que tem vínculos empregatícios fracos”, diz.