Do pãozinho na padaria à passagem aérea. A alta que o dólar teve nos últimos dias afeta o preço de diversos produtos e deixa o setor produtivo apreensivo com os custos, o que pode gerar consequências até mesmo para a já enfraquecida geração e manutenção de postos de trabalho em Goiás. A moeda norte-americana fechou o mês de agosto com alta de 8,49% e, no acumulado do ano, a valorização foi de 22,89%. Porcentual considerável para fazer com que empresários revejam suas estratégias.

Isso também é reforçado porque o cenário se mantém instável, mesmo após a queda registrada ontem (1,72%). As eleições são o principal motivo para a volatidade, juntamente com cenário internacional, onde há a crise na Argentina e as relações comerciais dos Estados Unidos com China e União Europeia estão no radar dos investidores.

Houve intervenção do Banco Central depois que o dólar atingiu R$ 4,20 nesta semana, mas não foi o suficiente para ter otimistas. O superintendente-executivo de Comércio Exterior da Secretaria de Desenvolvimento, William Leyser O’Dwyer, estima que a situação deva perdurar até o final do ano e o receio é de que com contornos maiores e as consequências para as importações goianas podem começar a ficar visíveis nos próximos meses. “A economia é volúvel.”

Medicamentos

Entre os itens que cita como os que terão mais impacto estão medicamentos, peças para automóveis e insumos para agricultura, que são os principais produtos importados no Estado. “A exportação é beneficiada com a alta mas há um contrapeso, quando paga mais para importar o resultado vai ser afetado.” Ele pontua que variações eram esperadas, mas nem todas empresas se prepararam para a alta nesse patamar. As importações estavam estáveis, mas com vencimento de contratos as negociações começam com novo valor.

“O resultado é desastroso para o consumidor no cenário mais negativo. Mas também acreditamos que há empresas que se anteciparam e podem estar mais preparadas para as oscilações.” O gerente do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias de Goiás (CNI/Fieg), Plínio Viana, reforça que o principal problema para Goiás é que as importações são importantes para as commodities e para ter maior valor.

A indústria esperava cenário melhor e juntamente com os cortes de custo que já faz especialmente de 2016 para cá, investimentos serão postergados. “Bens de consumo são afetados e os reflexos devem vir em até três meses”, diz Everaldo Fiatkosk, diretor do Porto Seco Centro-Oeste.

O presidente do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas de Goiás (Sindifargo), Marçal Henrique Soares, afirma que a alta vai inviabilizar até a produção de medicamentos no Estado, vai restringir a produção especialmente de genéricos, porque a matéria prima aumentou de preço fora do País e ainda houve a alta do dólar. “Não tem como se preparar para esperar isso e não temos margem. Vai afetar empregos.”