Os consumidores reclamam que os preços de produtos da cesta básica, como arroz, feijão, açúcar e óleo, ficaram mais caros nos supermercados da capital nos últimos dias. Depois de receber várias queixas, o Procon Goiás fez um levantamento de preços na semana passada, está solicitando notas fiscais de compra e venda dos supermercados e promete coibir aumentos abusivos injustificados. O órgão também está fiscalizando os preços de álcool em gel e máscaras.

A reportagem do jornal O POPULAR visitou estabelecimentos e constatou a indignação do consumidor. “No início da semana passada, eu encontrei uma marca de feijão por R$ 4 aqui. Agora, já está R$ 6,20”, reclamou a proprietária de um restaurante que fazia compras num atacarejo. Segundo ela, o preço do pacote de 5 quilos de arroz também já havia passado de R$ 11 para R$ 13,50 e o óleo subiu de R$ 3,29 para R$ 3,89. “Além de estar mais difícil vender, agora ficou difícil comprar”. 

Em outro supermercado, a dona de casa Maria das Graças Ribeiro reclamou que o pacote de arroz de sua marca preferida já estava custando quase R$ 16 ontem. “Não é possível. Há poucos dias, estava R$ 12,90. Como a gente vai fazer de agora em diante. O governo precisa dar um jeito nisso”, alertou.

A pesquisa de preços de itens da cesta básica feita pelo Procon Goiás servirá de parâmetro para a ação dos fiscais na comparação dos valores praticados desde o início do ano. A variação de preços entre um estabelecimento e outro chegou a 46,6%. O superintendente do órgão, Allen Viana, conta que o órgão recebeu várias denúncias na quarta-feira da semana passada, o que motivou a pesquisa de preços, feita nos dias 19 e 20.

A fiscalização vai comparar os preços de compra e venda para verificar se houve aumento do lucro no varejo. Caso isso não seja constatado, atacadistas e indústrias também serão fiscalizados. “Veremos em que elo da cadeia ocorre a majoração de preços. A situação atual exige ações em favor do consumidor”, justifica o superintendente. Ele alerta que os estabelecimentos podem receber uma multa que varia de R$ 690 a R$ 9,2 milhões, de acordo com o faturamento e possíveis agravantes. Denúncias podem ser feitas pelos telefones 151, 3201-7124 ou pelo portal proconweb.ssp.go.gov.br.

O presidente da Associação Goiana de Supermercados (Agos), Gilberto Soares, disse que os reajustes são reflexo de aumentos recebidos dos fornecedores. Segundo ele, produtos como arroz, feijão, açúcar e óleo estão chegando com novos valores. “Recebi informações de que houve uma quebra na safra de feijão, que teria reduzido a oferta no mercado”, afirmou. Mas, segundo ele, os maiores reajustes estão sendo praticados na Ceasa. Por lá, produtos como tomate, batata, beterraba e abobrinha praticamente já dobraram de preço. No caso da cenoura, o preço mais que dobrou e a caixa já chega a R$ 90.