O município de Caçu estabeleceu nesta semana medidas para flexibilizar as regras de funcionamento do comércio na cidade. Apesar de o decreto estadual estar acima da determinação municipal, os empresários estão seguindo as orientações da prefeita Ana Cláudia Lemos (MDB). O decreto do município prevê que as lojas podem abrir desde que respeitem medidas de prevenção à contaminação por coronavírus, como distanciamento de, no mínimo, 1,5 metro entre os clientes.

Por outro lado, a norma do governo estadual, que está em vigor até sábado (4), limita as atividades comerciais e industriais em Goiás. Apenas estabelecimentos que comercializam ou fabricam mercadorias essenciais à vida podem funcionar.

“Nós aderimos ao decreto do governador desde o primeiro momento. Mas a situação do comércio é de calamidade. Então, sentamos com os empresários e decidimos uma forma de continuar com as medidas preventivas e abrir as lojas”. Questionada se houve diálogo com o Estado para a decisão, Ana Cláudia disse que não há sinalização de ajuda econômica por parte dos governos estadual ou federal e o município pode não ter dinheiro para pagar a folha do próximo mês. 

“O comércio começou a abrir desordenadamente e achamos melhor entrar em acordo. Se tivermos que cortar gratificações de servidores, a dificuldade das pessoas vai aumentar. Não vamos conseguir segurar a onda. O comércio está funcionando sim, mas com restrições”. Segundo Ana Cláudia, a mudança não é uma forma de confrontar o governo estadual, mas de auxiliar os comerciantes da cidade. A prefeita diz que dois comércios foram fechados ontem por não cumprirem as regras do decreto municipal. 

Em nota, a Procuradoria-Geral do Estado de Goiás afirmou que o decreto estadual abrange todo o Estado. Com isso, todo o comércio, com exceção das atividades consideradas essenciais à vida, deve permanecer fechado em todo o Estado. “O descumprimento pode implicar sanções cíveis e penais”, diz a nota.

Hoje, após pedido do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), os prefeitos de Pontalina, Milton Ricardo (sem partido), e de Acreúna, Edmar Neto (PSDB), revogaram decreto semelhante ao de Caçu que estava em vigor nos seus municípios