O preço de produtos de hortifrúti tiveram queda em março e a tendência de acomodação se mantém para abril na Central de Abastecimento de Goiás (Ceasa). Em comparação com janeiro, há valores que caíram até 75%. Mesmo com aumento na demanda, após reabertura de feiras livres e restaurantes, questões climáticas ainda favorecem uma menor oscilação.

Gerente da Divisão Técnica da Ceasa Goiás, Josué Lopes Siqueira lembra que oscilações sempre ocorrem, mas afirma que há tendência do cenário se manter por conta do fim do período chuvoso. “Em janeiro, houve uma alta geral dos produtos. Em fevereiro, começou a declinar e, em março, o preço era a média praticada.”

No início do ano, o item que acumulou a alta que chamou mais atenção dos comerciantes foi o pepino colonião, que chegou a ser vendido a R$ 200 a caixa de 22 quilos (kg). Ontem, a cotação era de R$ 50 pela mesma quantidade. Bananas também tiveram alta considerada expressiva. A prata chegou a R$ 65 a caixa de 15 kg e passou para R$ 35, enquanto a maçã de R$ 120 recuou para R$ 65.

Entre outros produtos que surpreenderam os consumidores nos primeiros meses de 2021, está a batata inglesa que chegou a ultrapassar os R$ 200 o saco com 50 kg e agora custa R$ 80 em média na Ceasa.

Demanda

A reabertura das atividades não essenciais na quarta-feira (31), fez aumentar a perspectiva de aquecimento do mercado atacadista. Isso porque o fechamento – determinado por decretos estadual e municipais – de feiras livres, bares, lanchonetes e restaurantes impactou as vendas e trouxe preocupação aos pequenos produtores. Alguns perderam a produção no campo pela redução de até 90% das vendas durante março.

Porém, mesmo com o crescimento da demanda, a baixa nos preços de alguns produtos, devido à estabilização do clima, redução dos índices de chuvas, no fim de março, reforça a estimativa de acomodação dos valores. “A instabilidade climática fez os preços oscilarem no período chuvoso, tivemos chuvas mais fortes, além dos aumentos de custos com a produção. Fatores que levaram à queda de produção e aos aumentos”, pontua.

De acordo com o gerente da Ceasa, com chuvas mais esporádicas há melhoria já percebida para a produção. Se ocorrer um novo fechamento das atividades comerciais pelo revezamento de 14 dias com abertura e 14 dias com fechamento, a baixa na demanda tende a ocorrer mais uma vez e também pode contribuir para derrubar o valor de produtos.

“O que é certo é que não haverá perigo de desabastecimento”, reforça Josué sobre o momento de restrições por conta da pandemia de Covid-19. Porém, passado abril, ele explica que as temperaturas mais amenas esperadas para maio e junho afetam algumas culturas, podem diminuir produção e elevar os preços. Ele não acredita em elevação de valores como a verificada no começo do ano.

“Nesse caso, são altas esperadas e dentro de uma normalidade para o preço dos produtos verdes, chuchu, abobrinha, pimentão. Porque retrai a produção, mas tudo depende da intensidade. Se não vier um frio intenso, pode não prejudicar. É como colocar produto na geladeira, a planta retrai e vai produzir menos. Esperamos por isso todos os anos”, conclui.