Os juros futuros fecharam em forte alta nesta sexta-feira em reação à decisão do Banco Central (BC) de acelerar o ritmo de elevação da Selic, para 0,50 ponto porcentual, levando a taxa básica para 8% ao ano na quarta-feira, 29. Os investidores refletiram a postura mais dura do BC em relação à inflação, incorporando apostas de que o ciclo de aperto deve levar os juros para 9% no fim de 2013.
 
Os DIs registraram ainda uma nova rodada de alta das taxas futuras logo após a divulgação do superávit primário do setor público, às 10h30, que confirmou o viés expansionista da política fiscal. A disparada do dólar, que subiu 7,24% em maio e 1,75% nesta sexta-feira, atingindo a maior cotação desde maio de 2009, a R$ 2,1470, com possível impacto inflacionário da ordem de 0,4 ponto porcentual para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também teve efeito no comportamento dos contratos de DI futuro.
 
Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, o contrato de DI para julho de 2013, o mais líquido do dia, chegou a 7,72%, de 7,55% no ajuste de quarta-feira. O DI para janeiro de 2014 subiu para 8,43%, de 8,06% no ajuste, enquanto o DI para janeiro de 2015 oscilou para 8,94%, na máxima do dia, de 8,52% na quarta-feira. Entre as taxas mais longas, o contrato para janeiro de 2017 avançou para 9,75%, de 9,38% antes do feriado, e o DI para janeiro de 2021 atingiu 10,40%, de 10,09% no ajuste anterior.
 
Com a confirmação do viés mais duro de combate à inflação por parte do BC, surgiu uma nova divisão no mercado com relação ao tamanho do aperto monetário. A curva a termo já mostra uma Selic ao redor de 9% no fim deste ano. O esforço fiscal em queda também teve influência. O superávit primário do setor público caiu 31,8% nos primeiros quatro meses deste ano em relação ao mesmo período de 2012. As contas do setor público acumularam até abril um superávit primário de R$ 41,058 bilhões, o equivalente a 2,70% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período de 2012, o superávit primário era bem maior: R$ 60,212 bilhões ou 4,33% do PIB.
 
Além da falta de apoio da política fiscal ao esforço de combate à inflação feito pelo BC, a recente disparada do dólar, que chegou a bater R$ 2,1520 na tarde desta sexta, fechando no maior patamar desde maio de 2009, a R$ 2,1470, também joga contra um recuo da alta dos preços. Não por acaso, o BC, que não entrava no mercado de dólar desde 27 de março, realizou no início da tarde um leilão de swap cambial, que equivale à venda de dólares no mercado futuro. O mau humor internacional também colaborou com a disparada dos juros futuros entre os vencimentos mais longos. O DI para janeiro de 2023 fechou na máxima do dia, 10,60%, ante 10,34% no ajuste de quarta-feira.