O Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) tem sido mais um motivo de embate entre governo estadual e parte das lideranças do setor produtivo goiano. Mas, depois de críticas do governador Ronaldo Caiado (DEM) ao uso do recurso por grandes industriais, um diálogo com representantes de empresários teve início esta semana sobre os 30% do fundo que podem ser destinados a Estados caso haja autorização do governo federal por Medida Provisória (MP).

Enquanto a MP – que já estaria pronta, segundo informou Caiado ao POPULAR de domingo – não libera essa parcela para investimentos em infraestrutura dos Estados, somente a iniciativa privada tem acesso ao FCO. Caso isso mude, o governador informou ontem à reportagem que pretende investir o dinheiro em infraestrutura nas regiões mais carentes de Goiás.

“Não tem nas regiões mais carentes nenhuma indústria de grande porte que recebe recurso do FCO. O que estamos fazendo é com que o dinheiro chegue a pessoas mais pobres”, diz. O recurso tem grande demanda local. Somente no ano passado foram distribuídos R$ 3,3 bilhões. A maior parte para o agronegócio (R$ 2,8 bilhões), justamente o setor que não se opõe à partilha pleiteada pelo governo.

Em tentativa de diálogo, o Fórum Empresarial tem intenção de defender que o valor que for para o Estado retorne para investimento em produção, que chegue assim à iniciativa privada. “Quando se tem mais cabeças pensando, pode surgir alternativa mais consensual”, diz o presidente da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial de Goiás (Adial Goiás), Otávio Lage Siqueira Filho. Ele afirma que não houve discussão objetiva ainda com propostas ao governo.

“O governador afirmou que o recurso não irá para custeio do Estado, porque, se fosse, seríamos contrários a isso. Como será para investimento em infraestrutura, pensamos que lá na frente isso possa ser feito pela iniciativa privada. Por exemplo, a duplicação de uma GO. Privatiza, faz o investimento e o recurso vai para a iniciativa privada, que é quem executa.”

O presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio), Marcelo Baiocchi, defende que é preciso atenção para o fato de que, quanto maior a produção, mais há geração de emprego, impostos e o Estado ganha com isso. A tentativa seria encontrar uma melhor equação para que o setor produtivo não sinta o impacto da divisão do recurso e para que ocorra impulso ao desenvolvimento.

Caiado defende que o objetivo com os 30% é combater desigualdades regionais, conforme o FCO propõe. Defende que indústrias grandes já conseguem recursos de outras fontes. Na coluna Giro de domingo, aliás, o governador afirmou que o desgaste com o setor produtivo seria “coisa dos grandes industriais, que nunca fizeram o FCO chegar ao interior.” Ele citou também componente político envolvido na discussão.

Ontem, o governador voltou a ressaltar que o FCO só seria aplicado no Estado em todas as regiões na área da agropecuária. Conforme a Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), todas as cidades de Goiás tiveram contratações em 2018. Pela característica do mercado, a maior demanda historicamente é do setor rural, com destaque para os pequenos produtores.

Depois do setor rural, na parte do FCO Empresarial, comércio e serviços são os segmentos que receberam a maior parcela em 2018, foram R$ 278,2 milhões. Em seguida, aparecem infraestrutura (R$ 82,6 milhões), industrial (R$ 55,9 milhões) e o turismo (R$ 7,3 milhões).

“Quem deveria estar mais preocupado nesse momento é o setor rural”, ressalta Otávio Lage. Por nota, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e deputado federal, José Mário Schreiner (DEM), declarou que “o empréstimo de 30% dos recursos do FCO, por um curto período, para que o Estado possa executar as obras de infraestrutura que realmente necessitamos é uma contrapartida que o setor produtivo está dando ao Estado para que possamos promover os nossos investimentos”.