A contratação de até 200 quartos em hotéis pelo governo estadual para receber profissionais da saúde, que atuam na linha de frente no combate ao novo coronavírus, deve ser publicada nesta quinta-feira. Com dispensa de licitação e gasto estimado em R$ 1 milhão, a escolha dos locais considerou a proximidade com hospitais e o preço da diária, segundo a Goiás Turismo, que ficou responsável pelo processo.

As vagas são destinadas para aqueles que atuam no Hospital de Doenças Tropicais (HDT) e no Hospital de Campanha de Goiânia. O presidente da agência, Fabrício Amaral, explica que a despesa pública só irá ocorrer se houver a utilização dos quartos, mas estima que há demanda que até supere o oferecido. A contratação é por 60 dias de quatro a seis hotéis e poderá ser prorrogada por até 20 dias com o orçamento previsto.

“Do ponto de vista da saúde, não há data para terminar (a pandemia) e as pessoas merecem cuidado”, defende. Além de auxiliar os servidores, a ação também ocorre para ajudar de alguma forma o setor hoteleiro, que reclama dos impactos da quarentena. A ideia, conforme adiantou Fabrício, é que a iniciativa que começa em Goiânia possa ser ampliada para outras cidades do Estado.

Para receber os hóspedes que lidam diretamente com pacientes com a Covid-19, haverá treinamento nos hotéis selecionados – que não vão receber outras pessoas – para ensinar as equipes a como cuidar adequadamente dos espaços e do atendimento neste contexto. A expectativa é de que isso ocorra amanhã ou sábado para que no início da semana que vem possam começar a hospedar os profissionais da saúde.


Demanda

“A grande maioria pede, sim (hospedagem), mas não só do HCamp e HDT, como também do Hugo, Materno Infantil. Estamos em um momento de transmissão comunitária e o perigo não está somente nesses dois hospitais”, argumenta a presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde no Estado de Goiás (Sindsaúde-GO), Flaviana Alves.

Ela pontua que o pedido é geral dos trabalhadores por um local para ficar, porque há um temor de passar a doença para familiares e isso não está restrito às unidades de saúde estaduais. “Acho que é uma saída que vai ajudar até mentalmente os trabalhadores”, pontua, ao ressaltar que essa não é a única preocupação. Mas apenas se soma às necessidades de cuidados com equipamentos de proteção individual e tratativas sobre sobrecarga de trabalho. “Resolve tudo? Não. Mas ameniza.”

A técnica em enfermagem Marlene Soares França, de 56 anos, por exemplo, atua em UTI neonatal, na vacinação e realização de testes para Covid-19. Ficou 25 dias longe da filha, com quem mora, porque teve contato com paciente que testou positivo. “Ter a oportunidade de um quarto em hotel é muito importante para muitos colegas, porque temos filhos, família, e a gente corre risco”, relata.

Em relação ao uso de serviços de hospedagem para profissionais de saúde, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) informou por nota que o processo para descentralização de recursos para a Goiás Turismo está em andamento e os hospitais serão contactados para informarem a demanda de profissionais.

No HCamp de Goiânia, há um profissional da área de administração afastado com suspeita de ter pego a doença. A gestão do hospital informou que o exame dessa pessoa está em processo de averiguação para saber se é realmente uma infecção pelo novo coronavírus. Já no HDT, 13 colaboradores foram afastados pela suspeita e há quatro casos confirmados, conforme repassou a gestão da unidade.

 

Contratação

A contratação dos hotéis pelo Estado de forma direta, sem licitação, é justificada pela Goiás Turismo por uma necessidade de ter maior agilidade. A modalidade foi autorizada por lei federal para este momento de pandemia no País. Ao todo, a agência recebeu 12 orçamentos e fez comparativo de preço e localidade. O custo por quarto ficou em média R$ 2 mil por mês.

“É algo interessante para todo o Estado. Não seria o ideal só Goiânia, mas para quem fechar contrato já vai ter um oxigênio durante essa situação crítica que estamos passando”, opina o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Goiás (ABIH-GO), Fernando Carlos Pereira.