O cachorro ainda detém o título de melhor amigo do homem. E está na maioria dos lares goianos. Mas o gato não fica mais para trás e ganha cada vez mais a preferência como animal de estimação, o que abre novas oportunidades de negócios. Produtos e serviços diversos especializados nos felinos se multiplicam, de e-commerce com móveis especiais para eles a pet shop com atendimento exclusivo e até cat sitter.

“O mercado de felinos aumenta a cada ano. Há 20 anos, o atendimento era de 5% a 7%. Hoje, representa mais de 30%, e com tendência de crescimento. Tem clínica com salas especializadas para felinos, ração especial e uma série de materiais”, destaca o diretor da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais de Goiás (Anclivepa-GO), Alexandre Sano. Ele lembra que, se antes o gato era tratado como cachorro pequeno, isso não existe mais. Ele tem atenção própria.

Assim, com o aumento dos gatinhos nos lares, o mercado pet, que em 2016 faturou aproximadamente R$ 23 bilhões e mantém expectativa de crescimento em cerca de 7%, agora olha com mais atenção para eles. “O gato é o pet do futuro. Em algum momento vai superar o atendimento que se tem para o cão, pois, pelo temperamento, é mais independente que o cachorro”, pontua Sano sobre a tendência.

Ninguém arrisca dizer quando a população felina vai superar a dos cães, mas em alguns países, como Estados Unidos, França e Alemanha, os bigodudos já são maioria. Em paralelo, o mercado dedicado a eles evolui para dar conta da demanda. “A nossa aposta foi fortemente apoiada no pleito do próprio consumidor de produtos e serviços para gatos, que já há algum tempo vinha manifestando o desejo de ter um espaço exclusivo para o seu pet”, diz a proprietária do primeiro pet shop para gatos de Goiânia, o Via Cat, Beatriz Catelan.

Ela conta que a regra de gatos e cães no mesmo espaço no centro de estética, com convívio dificilmente amistoso, fez perceber que era preciso a diferenciação. Para tanto, a empresa fez pesquisa para abrir um negócio voltado exclusivamente para atender os gatos e comercializar produtos somente para eles. Em pouco mais de um ano, Beatriz diz que a expectativa é de que o negócio dobre de faturamento já este ano. O maior apelo é o centro de estética, mas ela ressalta que ainda há muito o que explorar.

“Para se ter uma ideia, em 2018, participaremos de duas feiras internacionais; uma agora em março, nos Estados Unidos, e outra em maio, na Europa”, pontua, ao defender que ainda há vários nichos dentro desse segmento que a empresa se prepara para oferecer ao mercado. Segundo ela, mesmo com a tendência, as cat stores ainda não são tão numerosos nem no Estado nem nas demais regiões do Brasil.

Ainda ocorre um desbravamento dessa nova oportunidade no mercado goiano, mas os serviços se destacam. Também entre os primeiros a apostar em trabalho só para os felinos está a cat sitter Cristiane Rocha, de 44 anos. Apaixonada pelos animais, ela era vendedora de loja de roupa, lidava com moda e, nas horas vagas, desde 2012, vem desempenhando a atividade paralela de babá de gatinhos. A procura cresceu de tal forma que há um ano ela tira o sustento do novo negócio, o Planeta Meow.

“Iniciei como protetora independente, com trabalho de resgatar gatos de rua e reabilitar para colocar para adoção e as pessoas começaram a me procurar quando precisavam viajar.” Com isso, já chegou a acumular mais de oito atendimentos por dia e a cuidar de até 18 gatos. Para isso, teve de se especializar. Formada em auxiliar veterinária, hoje dispensa atenção especial quando eles adoecem.

Assim, agregou também outro serviço no portfólio, o pet care home para felinos. O cuidado com remédios, vacinas e curativos também contribui para fidelizar o cliente para o trabalho de cat sitter, que é a visita quando os tutores viajam. Nesse caso, a visita dura cerca de uma hora e meia para higiene, reposição de areia, comida, água e muitas brincadeiras. Até gelatina e picolé ela faz para eles se sentirem em “uma colônia de férias”. “É um trabalho que cresce e o tutor gosta e se sente seguro e menos culpado de viajar sem o pet”, diz.

“É um negócio que caminha com a economia. Quando os consumidores têm mais tranquilidade, há crescimento maior. Especialmente na área dos tomadores de conta, hotéis. A indústria também se especializa, de cosméticos a alimentação sofisticada, promoção de festas de aniversário”, destaca o diretor técnico do Sebrae Goiás, Wanderson Portugal Lemis. Segundo ele, a tendência de consumo é forte e deve durar por um bom tempo. Somente em Goiás, são mais de 3,2 mil negócios voltados para cães e gatos.