Os goianos pagarão mais caro pelos serviços de abastecimento de água e esgoto sanitário nas contas que vencem a partir de 1º de julho. O Conselho Regulador da Agência Goiana de Regulação (AGR) autorizou a Saneago a aplicar um reajuste tarifário anual de 5,79% aos usuários. Segundo a empresa, o que mais pesou na composição dos custos foi a energia elétrica, que respondeu por 47% do índice.

De acordo com a Saneago, o reajuste tarifário, que acontece anualmente para recomposição da inflação referente ao ano anterior, visa o equilíbrio econômico-financeiro da empresa. A resolução da AGR, o órgão competente para fixar e autorizar os reajustes, conforme o marco regulatório, permite que o índice de reajuste entre em vigor dentro de dez dias, refletindo nas contas com vencimento a partir de 1º de julho. 

O índice ficou bem acima da inflação em 12 meses na capital, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo IBGE e que faz parte da composição do índice de reajuste: 3,43%. O diretor financeiro e de relações com investidores da Saneago, Paulo Rogério Battiston, informa que, ao todo, sete itens fazem parte da composição dos custos que definem o reajuste. Enquanto a energia respondeu por 47% do índice, a inflação teve um impacto de 2,22%. 

Ele explica que o restante foram custos com materiais, serviços de terceiros, pessoal, telefonia e construção civil nos investimentos realizados pela empresa. “Se não fosse o peso do aumento da energia elétrica, o reajuste aplicado teria sido praticamente o índice inflacionário do período”, destaca. Segundo ele, somente o aumento aplicado aos consumidores de energia de alta tensão teve um impacto de 26,52% nos custos da empresa. 

Inicialmente, a Saneago havia solicitado um reajuste de 6,73% à AGR. De acordo com Battiston, o índice não foi aprovado devido a mudança na metodologia dos relatórios que subsidiam a definição do índice. Segundo ele, das nove companhias que já aplicaram o reajuste este ano, Goiás teve o quinto menor índice. Ele ressalta que entre os consumidores que consomem até 5 metros cúbicos, equivalente a 30% da população, o valor médio das tarifas é de R$ 62,38, enquanto o preço da Saneago está em R$ 58,35. “Mas as companhias têm estruturas tarifárias diferentes, o que dificulta uma comparação”, diz.

Revisão

Este ano, o consumidor se livrou do peso da revisão tarifária, que acontece a cada quatro anos e que foi prorrogada para 2020. A Saneago pretende contratar empresa de consultoria para fazer um levantamento de sua base de ativos regulatórios usados para o cálculo do índice que será apresentado. A última revisão tarifária, aplicada em 2015, resultou num aumento de 32,13%, que foi parcelado em três vezes.