As empresas brasileiras ganharão um apoio financeiro para ajudá-las a superar os efeitos das medidas restritivas de combate ao coronavírus no Brasil e no mundo. O governo de Goiás e instituições financeiras estão anunciando linhas de crédito, principalmente para capital de giro, e programas de refinanciamento para prorrogar o pagamento de dívidas.

O governador Ronaldo Caiado anunciou a liberação de R$ 500 milhões, por meio da GoiásFomento e Banco do Brasil (FCO), que oferecerão cinco linhas de crédito emergenciais para micro, pequenas e médias empresas e microempreendedores individuais (MEI). O presidente da GoiásFomento, Rivael Aguiar, explica que algumas linhas que já existiam foram adaptadas e outras foram criadas agora.

Antes, os financiamentos não eram liberados em dinheiro. O empresário adquiria o crédito, ia comprando o que precisava e apresentava as notas fiscais à agência, que pagava os fornecedores. Agora, haverá a liberação de 70% do recurso no primeiro momento e a empresa apresentará os comprovantes dos pagamentos, como os salários dos funcionários e outras despesas operacionais. Depois disso, o restante será liberado.

Rivael lembra que os empréstimos serão orientados, pois os recursos não poderão ser usados para pagamento de dívidas com bancos ou condomínios de shoppings, por exemplo, que devem ser prorrogados pelas instituições. Mas a empresa pode, por exemplo, pagar o aluguel de um ponto cujo proprietário dependa dele para sobreviver. “O crédito é um remédio para a empresa e precisa ser dado na medida certa para não prejudicá-la depois”, destaca.

O Sebrae será parceiro oferecendo consultorias para as empresas neste sentido. O presidente da GoiásFomento lembra que os empresários poderão procurar a instituição antes de recorrer aos empréstimos, que terão carência de 6 ou 12 meses, de acordo com a linha. O prazo de pagamento será de até 36 meses, com exceção das empresas de turismo, que terão até 48 meses, incluindo a carência. Segundo Rivael, a taxa média de juros é de 6,49% ao ano, mas é pós-fixada e vai variar em função do IPCA. Para o turismo, os juros vão de 5% a 7% mais INPC.

Porém, as empresas não estão livres das garantias exigidas habitualmente, como avalistas. Outras alternativas que ainda estão sendo implantadas, mas ainda não disponíveis, são o seguro de crédito e fundos de aval. A agência está fechada para atendimento, que será feito pelo telefone 3216-4900, pelo e-mail atendimento@goiasfomento.com ou o site www.goiasfomento.com. “A empresa pode preencher o formulário e mandar a documentação de forma online, que será analisada em até 15 dias. A demanda já está grande”, avisa.

Bancos

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também anunciou medidas de apoio às empresas. O presidente da instituição, Gustavo Montezano, informou que o pagamento de juros e do valor principal de dívidas para empresas que têm financiamento direto com o BNDES será suspenso por até seis meses para aliviar o caixa das empresas. Serão destinados R$ 19 bilhões. Os pagamentos também serão suspensos para negócios que tomaram crédito indireto, ou seja, por meio de repassadores financeiros, o que inclui pequenas e médias empresas, com a destinação de R$ 11 bilhões.

A Caixa Econômica Federal anunciou novas medidas, como redução de juros de até 45% nas linhas de capital de giro, com taxas a partir de 0,57%, carência de até 60 dias nas operações parceladas de capital de giro e renegociação e disponibilização de linhas de crédito especiais, com até seis meses de carência, para empresas que atuam no comércio e prestação de serviços.

Já o Banco do Brasil começou a liberar as operações de crédito para garantir a liquidez financeira das micro e pequenas empresas. Os clientes poderão prorrogar as duas próximas parcelas a vencer, que serão transferidas para final do cronograma de pagamento, com a incidência de juros diluída ao longo do financiamento.

De acordo com o banco, o objetivo é fazer com que as empresas não necessitem usar seus caixas para pagar empréstimos neste momento, liberando recursos para o pagamento de funcionários e fornecedores