Toneladas de alimentos para serem destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade econômica têm sido arrecadadas por diversos segmentos empresariais em Goiás na tentativa de minimizar parte dos reflexos da pandemia do coronavírus. Os itens destinados à doação têm como origem desde o investimento de recursos próprios de entidades e empresários, como também arrecadação via um entretenimento em alta no atual cenário de distanciamento social: as lives no YouTube.

A primeira live musical com essa finalidade realizada pela Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio-GO), Serviço Social do Comércio (Sesc) e programa Mesa Brasil Sesc, foi a da cantora Marília Mendonça, na noite de quarta-feira (8). A transmissão alcançou 3,3 milhões de espectadores. Com a atração, conseguiram uma doação de 200 toneladas de alimentos em todo o Brasil e ainda um valor em dinheiro estimado em mais de R$ 400 mil, segundo informa o presidente da Fecomércio-GO, Marcelo Baiocchi. Ele afirma que todo esse recurso será revertido na compra de cestas básicas e de equipamentos de proteção individual (EPIs). Ontem a noite uma nova live com o mesmo fim estava prevista, com a dupla Bruno e Marrone.

Baiocchi informa que os recursos arrecadados são destinados para o Estado de origem das doações via Mesa Brasil. Só em Goiás, situa, serão 20 mil cestas para distribuir. Parte delas a partir de recursos da live, e outra, com recursos próprios da entidade.

Só de recursos próprios ele diz que a federação está investido algo em torno de R$ 3 milhões em Goiás, com foco em alimentos e EPIs para doação.

Outra entidade que tem se mobilizado para doar alimentos a quem está sem condições para adquirí-los é a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). “De 23 de março até segunda-feira (13) serão mais de 1 tonelada de alimentos para doação”, informa a advogada Raquel Ribeiro, responsável pelo projeto Fieg Mais Solidária. Ela explica que têm feito entregas de alimentos e produtos de higiene pessoal para instituições de assistência social de Goiânia e da Região Metropolitana toda semana, desde o início das arrecadações. A próxima entrega de doações, com o equivalente a meia tonelada de alimentos, srá na próxima segunda-feira.

Até agora, são sindicatos e empresários ligados à Fieg que têm contribuído para s doações. “É meio emergencial, mas se Deus quiser, quando tudo isso passar, vamos continuar (com a ação).”

A Associação Empresarial da Região da 44 (AER44) também buscou junto aos associados alimentos para serem doados a montadores de barracas, carregadores de fretes, ambulantes e feirantes da região. Ao todo, segundo o presidente da AER44, Jairo Gomes, conseguiram reunir mais de 500 cestas básicas, doadas ontem. Contribuíram para a ação donos de shoppings e galerias da região. “São 103 empreendimentis e 35 hotéis”, cita.

Um dos que receberam a cesta ontem foi Jucivam da Silva Pereira, de 38 anos, vendedor de marmitas na Região da 44. Ele mora com a mulher e três filhos e diz que, no momento, já não não tinha condições de arcar com alimento em casa. “Hoje mesmo a gente ia ter só o almoço. Não sabia o que ia jantar”

Jairo cita que vão continuar com a ação. “A fome não para.” Mas diz que esperam medidas que ajudem micro e pequenos empreendedores da região a ter acesso a crédito neste momento.

A Associação Comercial, Industrial e de Serviços no Estado de Goiás (Acieg) também está com campanha em curso desde a semana passada para arrecadar alimentos e roupas para doação. Até ontem contabilizavam em torno de 1 tonelada de alimentos, cerca de 90% repassados por associados da entidade, segundo o presidente da Acieg, Rubens Fileti. “A gente quer ver se consegue arrecadar 5 toneladas.” As doações para famílias que necessitem, segundo ele, serão feitas pela Organização das Voluntárias de Goiás (OVG).

De forma individual empresas também estão se mobilizando. Na quarta-feira (8), a MRV, por exemplo, doou 580 cestas básicas para a Prefeitura de Valparaíso repassar às famílias que lá necessitarem.

Já o Laticinios Bela Vista, detentor da marca Piracanjuba, atendeu um pedido do governo estadual e, em parceria com o Sindicato das Indústrias de Laticínios no Estado de Goiás (Sindleite), doou mais de 50 mil litros de leite para entidades goianas, como a OVG e a Associação dos Deficientes Físicos do Estado de Goiás (Adfego).Além disso, se comprometeu a repassar mil litros de leite por mês à população carente de Bela Vista de Goiás, via prefeitura, enquanto durar a pandemia. Também ampliaram de 130 para 200 o quantitativo de cestas básicas que doam, todo mês, para famílias do município.