Com uma semana de atividade comercial restrita à venda de produtos essenciais em Goiás, instituições que representam os empresários do Estado começam a elaborar sugestões para flexibilizar as medidas após o fim do período previsto para a suspensão. Decreto publicado pelo governo estadual na semana passada determinou o fechamento de parte do comércio no Estado e proibiu o trabalho em cerca de 75% das indústrias até o dia 4 de abril. Continuam funcionando normalmente as fábricas que fazem parte da cadeia produtiva de alimentos e remédios.

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Goiás (Fecomércio-GO), Marcelo Baiocchi, participou de reunião com sindicatos de empresas do setor produtivo ontem. Segundo Baiocchi, o objetivo é, após o fim do decreto, flexibilizar a produção e venda de mercadorias necessárias para a população, mas sem criar insegurança sanitária.

“Pequenos negócios, como oficinas, borracharia e empresas que produzem peças, por exemplo, precisam voltar a funcionar. Não vai poder continuar com uma regra geral. Cada área terá que observar sua particularidade. Teremos que encontrar uma forma de trabalhar.”

Questionado sobre a reação dos empresários após posicionamento do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), contra o fechamento do comércio, Baiocchi diz que os membros do setor compreendem a importância de as portas estarem abaixadas neste momento. “O pronunciamento do presidente foi bem-vindo porque precisamos nos preocupar com a economia também. Mas o principal ponto é equilibrar a atividade empresarial e a saúde das pessoas”, comentou.

Apesar de a Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg) ser procurada por empresários para questionamentos em relação à suspensão das atividades do comércio, o presidente, Rubens José Fileti, afirma que a posição da instituição é de continuar apoiando as decisões do governo estadual. Ontem, o governador Ronaldo Caiado (DEM) disse que, mesmo após crítica de Bolsonaro, o decreto que suspendeu atividades em Goiás continua. “Essa situação tumultuou não apenas o ambiente político, mas também o empresarial. Gerou uma comoção no setor, maior do que a dúvida inicial do que abrir e fechar.”

Fileti diz que a Acieg também pedirá a flexibilização das medidas após os 15 dias de decreto. “A ajuda ao empresário proposta até aqui pelo governo do Estado é boa. Precisaremos de crédito que estão nos oferecendo. Mas é preciso ter menos burocracia.”

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Goiânia (CDL), Geovar Pereira, também afirma que os comerciantes estão inseguros e esperam definições mais específicas sobre o auxílio que devem receber. A CDL Goiânia segue apoiando as medidas do governo estadual.

Transição

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Sandro Mabel, também demonstrou apoio a Bolsonaro, mas afirmou que a continuidade do isolamento proposto pelo governo estadual é importante. “Vamos respeitar a quarentena de 15 dias. Se tiver alguma área que puder começar a funcionar antes, tudo bem. Se não, a partir deste prazo precisamos de um plano para voltar ao funcionamento com segurança. Estamos elaborando isso. Nós precisamos trabalhar.”

O presidente da Goiás Turismo, Fabrício Amaral, designado pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), para atuar na articulação com empresários, afirma que o Estado ainda divulgará forma de apoio ao comércio. Sobre o pedido para flexibilizar a suspensão de atividades, diz que a medida será reavaliada no fim do período previsto.