Apesar de pressão dos representantes de lojistas pela flexibilização das medidas que atingem diretamente o setor, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), foi enfático ao afirmar, em reunião nesta terça-feira (17), que o comércio no Estado terá de fechar durante 15 dias para prevenir o aumento de casos de coronavírus no Estado. O presidente da Associação Empresarial da Região da Rua 44, Jairo Gomes, que esteve no encontro, conta que sugeriu ao governador a redução da medida para sete ou dez dias, mas o pedido foi recusado.

Com isso, diz Jairo, as lojas do Estado devem fechar as portas a partir desta quinta-feira (19). Na reunião, o presidente reivindicou fiscalização nas ruas para evitar a presença de vendedores ambulantes. “Falei para o governador que não vai adiantar o comerciante fechar se os ambulantes estiverem na rua. Ele me disse que vai usar a Polícia Militar para evitar que isso aconteça e vai falar com o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB), sobre o assunto. A situação não é boa para a economia, mas é importante para a saúde da população. É decisão de governo, vamos cumprir”.

Segundo Jairo, o governador também designou o presidente da Goiás Turismo, Fabrício Amaral, para alinhar junto às entidades representativas a forma com a qual microempreendedores terão acesso a crédito, sem juros, para auxílio após o fim do período de restrição. “A região da Rua 44 é grande, mas é composta principalmente por microempreendedores que não conseguem sobreviver a 15 dias parados.”

O decreto suspendendo as atividades comerciais como medida preventiva à propagação do novo coronavírus no Estado foi publicado nesta terça-feira (17). O POPULAR já havia mostrado a intenção do governador de fechar o comércio em Goiás por pelo menos duas semanas. Ontem também foi publicada nota técnica da Secretaria Estadual de Saúde, em que parte das determinações que constam no decreto foram recomendadas pelo titular da pasta, Ismael Alexandrino.

O decreto determina que estão proibidas todas as atividades em feiras, shopping centers e nos estabelecimentos situados em galerias ou polos comerciais de rua. As medidas entram em vigor amanhã. A norma também suspende o funcionamento de cinemas, clubes, academias, bares, restaurantes, boates, teatros, casas de espetáculos e clínicas de estética. O atendimento mediante serviço de entrega continua permitido. As atividades de saúde bucal, pública e privada, exceto àquelas relacionadas ao atendimento de urgência e emergência, também estão proibidas durante o período.

As restrições não se aplicam a estabelecimentos médicos, hospitalares, laboratórios de análises clínicas, farmacêuticos, psicológicos, clínicas de fisioterapia e de vacinação. As distribuidoras e revendedoras de gás, postos de combustíveis, supermercados e estabelecimentos semelhantes também continuam funcionando normalmente.

A norma prevê que as empresas afetadas pelas medidas poderão conceder férias coletivas aos empregados. Quanto à fiscalização, o texto afirma que as “autoridades administrativas competentes” devem observar eventual abuso de poder econômico no aumento arbitrário de preços dos insumos e serviços relacionados ao enfrentamento do coronavírus. O decreto também cita o artigo 268 do Código Penal, que determina pena de um mês a um ano e multa para pessoas que infringirem determinação do poder público destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa.

Antes da divulgação do decreto, dois shoppings de Goiânia informaram redução no horário de funcionamento. O Flamboyant, o Passeio das Águas e o Goiânia Shopping informaram que a partir desta quarta-feira (18) funcionarão entre as 12 e 20 horas. Para o Flamboyant, até novo aviso, a alteração de horário terá validade por 15 dias.