Para alguns membros do setor empresarial, o novo decreto de isolamento publicado hoje pelo governador Ronaldo Caiado frustrou as expectativas e não seguiu critérios técnicos, mas políticos. As novas regras desagradaram, principalmente, o setor industrial, que esperava a autorização para uma reabertura escalonada e gradual, com o apoio de uma plataforma específica, e que a prorrogação deve levar muitas empresas a fecharem as portas e demitirem funcionários. Já representantes do comércio consideraram o decreto um avanço, mas cobrarão medidas de apoio, como a prorrogação do ICMS.

O presidente da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Sandro Mabel, disse agora há pouco que o decreto foi uma frustração para muitos segmentos empresariais, num momento em que a economia enfrenta tantos problemas. “Ele parece ter seguido critérios políticos, e não técnicos, talvez querendo que Goiás seja o Estado do País a registrar o menor número de casos”, disse. Ele criticou o fato do governador não ter seguido a nota técnica divulgada na manhã de hoje pela Secretaria Estadual de Saúde, que permitia o reinício das atividades do setor produtivo de forma escalonada, com o controle por meio de uma plataforma específica, desenvolvida pelas entidades empresariais.

“Quando vimos a nota técnica, entendemos que só continuaria fechada a empresa que pudesse gerar aglomerações”, destaca Mabel. Ele lembra que a construção civil já havia se planejado para reabrir na próxima semana, com a adoção de várias regras de segurança e responsabilidade. Para o presidente da Fieg, sem a adoção da plataforma de controle sugerida pelo setor empresarial, muitas empresas reabrirão de forma descontrolada. “Agora, não temos como ajudar no sentido de organizar uma abertura, pois as pessoas estão começando a abrir de qualquer jeito. Não temos mais o que fazer. Será muito difícil segurar o pessoal”, alerta. Mabel estima que a prorrogação do decreto por mais 15 dias levará muitas empresas a fecharem as portas e a demissões em massa. 

Já o presidente da Federação do Comércio de Goiás (Fecomércio), Marcelo Baiocchi, viu muitos avanços no novo decreto de isolamento para as empresas que ele representa. Ele deu o exemplo das feiras livres de hortifrutigranjeiros, que poderão voltar mediante o cumprimento de regras estabelecidas pela Secretaria da Agricultura. Entre essas regras, estão a higienização frequente de todos os instrumentos utilizados durante a comercialização dos alimentos, transporte de produtos em veículos higienizados com álcool 70% ou soluções de água sanitária a desinfecção de balcões, balanças e utensílios com solução adequada.

Durante a realização da feira, também deverá ser adotado sentido único para o trânsito de pessoas, disponibilizado pontos para lavagem das mãos e fixadas faixas adesivas no chão, indicando a distância que as pessoas deverão ficar em relação às barracas. A orientação é que os alimentos sejam embalados previamente e que não haja degustação nas barracas de serviço nem alimentos cortados e expostos. Todos os negociantes devem estar protegidos com máscaras e luvas descartáveis.

Marcelo Baiocchi também elogiou a possibilidade da volta de profissionais liberais ao trabalho, sem a presença de clientes. Neste caso, estão escritórios de contabilidade, que precisam fazer folhas de pagamento de empresas e gerar guias para o recolhimento de imposto, e escritórios de administração de grandes condomínios. Segundo ele, é importante fazer uma abertura uma abertura gradual para ir medindo o grau de contaminação. “As empresas estão preparadas para seguir as normas de segurança necessárias, como o uso de equipamentos de proteção individual, isolamento de idosos, distanciamento de funcionários e clientes e adoção de horários alternativos”, avisa.

A FCDL-GO (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Goiás) informa que vai orientar os empresários do setor varejista e do ramo de prestação de serviços a cumprir na íntegra o novo decreto editado pelo governo estadual com restrições para abertura do comércio, assim como já era feito com o decreto que vence neste sábado No entanto, a Federação vai intensificar a gestão feita junto ao governador Ronaldo Caiado para cobrar a implementação de medidas urgentes de suporte ao setor produtivo, como a prorrogação do ICMS dos meses de abril, maio e junho para, respectivamente, outubro, novembro e dezembro.