Princípios básicos do cooperativismo, como união, simplicidade e atenção voltada aos interesses da comunidade em que atua, confirmaram-se eficiente estratégia para enfrentar desafios impostos pela pandemia de Covid-19. Ao longo de 2020, o setor já teve crescimento de 54% no Brasil, quase o triplo da média de 20% ao ano que vinha sendo alcançada. Esse avanço significativo durante a crise foi mencionado por Marco Aurélio Almada, diretor-presidente do Centro Cooperativo Sicoob, que ao lado de Luiz Edson Feltrim, superintendente no Instituto Sicoob para o Desenvolvimento Sustentável, participou ontem da quinta edição do webinar, promovida pelo Grupo Jaime Câmara em parceria com a Central Sicoob Uni.

Os dois convidados para o evento em formato virtual falaram sobre o tema Cooperativismo de crédito no desenvolvimento econômico sustentável, esclarecendo as contribuições de um sistema que funciona a partir da captação local de recursos destinados a investimentos no setor produtivo da própria região. A mediação do evento on-line foi feita pelo âncora da TV Anhanguera, Handerson Pancieri.

Ao fazer um breve histórico das cooperativas de crédito no Brasil, Almada citou que elas respondem hoje por 5% de toda a demanda de crédito, com participação mais acentuada que chega a 20% no agronegócio e nas micro e pequenas empresas. “Quando começamos, 23 anos atrás, era de 0,15% apenas”, compara. Segundo ele, é um porcentual ainda pequeno se comparado a países como França e Canadá, mas lembra que lá o cooperativismo existe há 170 anos.

O diretor-presidente do Centro Cooperativo Sicoob citou duas datas decisivas para a expansão das cooperativas de crédito no País: 2003, quando o Banco Central autorizou a adesão de micro e pequenas empresas, e 2009, ano da lei complementar que autorizou a livre admissão de associados.

Feltrim ressaltou o alcance desse sistema de crédito, implantado em 305 municípios, em alguns dos quais é a única instituição financeira, somando 12 milhões de cooperados.

“A cooperativa oferece todas as soluções financeiras de outros bancos, de forma segura, mas opera dentro de uma área, ou seja, recicla o dinheiro local da captação ao crédito”, observa Feltrim. “O propósito, alinhado a uma agenda social, vem à frente do lucro”, enfatiza. Assim, pontua ainda, o sistema contribui na geração de emprego e renda, ao aumentar o giro de capital na própria comunidade, à qual são direcionadas ainda ações sociais, principalmente relacionadas à educação financeira, pilar da sustentabilidade.

O que não significa não ser um arranjo vantajoso. “É muito atrativo”, garante Almada. “Como investimento, o recurso captado é remunerado em modalidade de renda fixa, conforme o mercado. Mas os empréstimos têm taxas melhores. E o investidor recebe parte da sobra, ou seja, do excedente do resultado gerado, que é dividido entre os associados.”

Tecnologia

Almada observou que com a pandemia, foi acelerada a oferta de serviços on-line, assim como estão surgindo novas alternativas no mercado, a exemplo das fintechs. Ele avalia como “momento virtuoso” a competitividade no sistema financeiro, por ser favorável aos clientes, portanto, também para os cooperados. “Vamos surfar nessa onda.”

O Sicoob é o terceiro maior operador de cobranças no País, informa ele, “com condições comerciais mais em conta”, e já detém 4% do total das transações nacionais do Pix. Em 2021, adianta, será lançado o Coopera, “para hospedar lojas virtuais no nosso espaço e levar apoio financeiro”.

Sobre o agronegócio, Almada falou do sucesso da cooperativa em Rio Verde, “que dinamiza muito a região”. Destacou como além de oferecer linhas de crédito em condições favoráveis, há preocupação em atender aos prazos, “porque o produtor precisa do dinheiro na hora certa”.