O equilíbrio entre economia e saúde pode ser alcançado por meio de cooperação entre diferentes setores da sociedade, em debates que levem a decisões em concordância sobre medidas de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. Essa foi a conclusão à qual chegaram os convidados do webinar promovido pelo Grupo Jaime Câmara ontem para discutir o tema.

Participaram do evento on-line os presidentes da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Glauco Humai, da Unimed Goiânia, Sérgio Baiocchi Carneiro, do Sicoob UniCentro Brasileira, Raimundo Nonato Leite Pinto, o superintendente de Ação Integrada em Saúde da Secretaria Estadual de Saúde, Sandro Rodrigues, e o CEO do GJC, Breno Machado. Sandro representou o titular da pasta, Ismael Alexandrino, que não participou do evento porque acompanhou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), na inauguração do Hospital Regional de Itumbiara na tarde de ontem.

Durante o evento, Sandro afirmou que as decisões tomadas pelo governo do Estado para diminuir a contaminação por Covid-19 e que afetaram a economia goiana (como a restrição para o funcionamento do comércio) foram tomadas com base em estudos técnicos e após diálogo dentro do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública para o Novo Coronavírus (COE), grupo multidisciplinar responsável por definir e monitorar ações de vigilância epidemiológica no Estado.

“Estamos trabalhando desde o início com uma série de cenários. Vivemos hoje um momento com alto número de casos e mortes. Nossa maior preocupação é a estrutura do sistema de saúde. O problema não são as pessoas terem Covid-19, mas todas terem de uma vez.” Sandro afirmou ainda que o problema não pode ser solucionado apenas com o aumento da quantidade de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), pois isso depende também da quantidade de profissionais disponíveis, respiradores e medicamentos.

O cenário, diz Sandro, explica as decisões tomadas pelo governo em relação à economia, como a decisão pelo isolamento intermitente, previsto em decreto estadual, que determina o fechamento de parte das atividades econômicas do Estado por 14 dias e reabertura por outros 14 dias. “O objetivo é manter o número de casos que temos hoje para não sobrecarregar o sistema de saúde. Concordo que não é uma questão simples. Mas o governo tem trabalhado o equilíbrio neste sentido.”

O decreto do governo estadual foi publicado na segunda-feira (29), mas os municípios têm autonomia para tomar decisões relacionadas ao novo coronavírus desde abril, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu sobre o assunto.

O prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB), publicou decreto ontem determinando que todas as regras do Estado sejam seguidas na capital. O texto do Estado determina o fechamento por 14 de dias de atividades consideradas não essenciais à vida.

Comércio

Na oportunidade, Glauco Humai defendeu a reabertura do comércio com protocolos rígidos contra a contaminação pelo vírus. O presidente da Abrasce disse que os shoppings tiveram tempo para se adequar à nova realidade. “O sistema público se organizou, as empresas se prepararam e a população tem informação sobre o que deve fazer ou não quando está em ambiente público. É inviável ficar fechado mais tempo.” Glauco disse ainda que não acredita em queda de braço entre saúde e economia e defendeu a preservação de vidas como prioridade. “Por meio dos protocolos, nos preparamos para isso”, disse o presidente.

Glauco afirmou ainda que os shoppings poderiam compartilhar informações com o poder público para otimizar o banco de dados sobre a Covid-19, já que os estabelecimentos irão monitorar a temperatura das pessoas (febre é um dos sintomas mais comuns em pessoas com Covid-19).