O isolamento social fez o consumo de energia elétrica cair 7% em Goiás até 17 de abril em relação aos primeiros 20 dias de março, segundo estudo realizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Isso porque entre as medidas tomadas pelo governo estadual para evitar propagação do coronavírus houve limitação de atividades econômicas. Em quatro semanas, a redução foi de 143 Megawatt médio (MWm), o que equivale a mais do que foi consumido em todo o Estado do Acre (123 MWm) no período.

No País, a média no Sistema Interligado Nacional (SIN) caiu 14%. No mercado de contratação regulada, em que o consumidor compra das distribuidoras – que é o caso dos residenciais –, o recuo foi de 13%, enquanto no ambiente livre chegou a 18%. O Estado com maior variação negativa foi o Rio Grande do Sul (30%). Goiás aparece no ranking – que não considera Roraima, por não ser interligado ao SIN – apenas na 19ª posição.

Segundo o gerente executivo de Segurança de Mercado e Informações da CCEE, Carlos Dornellas, o que traz essa diferença entre regiões é o conjunto de medidas adotado na pandemia, o nível de adesão da população e o perfil de consumo. “Estados que têm maior atividade industrial têm impacto mais forte”, pontua. Isso porque mesmo que as pessoas estejam em casa e o consumo da classe residencial tenha crescido, ele representa apenas um quarto do setor regulado. Os grandes consumidores são comércios e indústrias.

“Nas residências, os equipamentos não consomem tanto quanto uma máquina numa fábrica. Pode aumentar o uso de televisão e outros equipamentos, mas o consumo é muito pequeno.” No setor produtivo, por ramo de atividade, a indústria automotiva teve maior queda no consumo, foi de 41% no mercado goiano e de 65% no Brasil. Depois, vem serviços, com queda de 37% no Estado. Assim, há cenário sem comparativos, como analisa Dornellas, e pode piorar.

A flexibilização ocorrida a partir de decreto estadual de 19 de abril não entrou no estudo, mas os reflexos dela serão mensurados pela CCEE. Neste mês, o acompanhamento observou recuo crescente do consumo, que passou de 4% para os 7%. Com maior movimento nas ruas, a demanda por energia tende a ter aumentado e mudado um pouco o cenário. Porém, o isolamento social fez efeito na geração. “Houve redução de geração hídrica e térmica”, lembra, sobre consequência da falta de tecnologia para estocar energia.

“Isso faz com que os consumidores possam sentir diferença, nem que seja de centavos”, pontua o presidente licenciado da Associação Brasileira de Engenheiros Eletricistas em Goiás (Abee), Petersonn Gomes Caparrosa Silva, sobre a bandeira tarifária se manter verde. De outro lado, ele defende que a mudança de comportamento foi forçada e por isso, após a quarentena, a demanda pode voltar ao normal ou até ter picos por causa do trabalho para resgatar as perdas financeiras. Para as distribuidoras, a queda no consumo impacta o caixa. Sobre isso, a Enel Distribuição Goiás informou que discute com o governo federal “para encontrar soluções que contribuam para que a sociedade e o sistema elétrico enfrentem a atual situação”.