Mesmo com decreto proibindo o funcionamento de lojas que não comercializam produtos essenciais, diversos estabelecimentos estavam abertos ontem na Região Metropolitana de Goiânia. A reportagem do POPULAR percorreu importantes áreas comerciais como as avenidas Mangalô, no setor Morada do Sol, Anhanguera, no Leste Universitário, Canaã e New York, no setor Novo Mundo, Tapajós, na Vila Brasília, e Independência, no Centro da capital. Foram encontradas lojas de diversos segmentos funcionando, como calçados, eletrodomésticos, bancas de revistas e pregões. O decreto do governo estadual determina que, até o dia 19 de abril, apenas estabelecimentos que comercializam mercadorias essenciais à vida levantem as portas.

De acordo com a Polícia Militar, entre o dia 19 de março e ontem às 17 horas, 3,4 mil lojas do Estado foram abordadas por equipes da PM por estarem em desacordo com o decreto estadual. Nestes casos, após orientação da PM os comércios foram fechados. Neste período, também foram registrados 230 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs), casos em que o proprietário do estabelecimento fica intimado em data já marca a comparecer ao Judiciário para dar explicações do motivo do descumprimento do decreto. Segundo a PM, um TCO é feito quando há reincidência ou a orientação dos policiais não é suficiente para que a loja seja fechada.

O presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), Rubens Fileti, afirma que, apesar de um grupo de empresários descumprir as normas, a instituição orienta que o decreto seja cumprido e as lojas continuem fechadas. “A maioria deles está desesperada. Alegam que precisam de dinheiro para pagar funcionários e impostos. O crédito prometido não está chegando na conta. Nos preocupa que as pessoas afrouxaram o isolamento por conta própria e isso pode trazer consequências”. Segundo Rubens, a associação está ligando para os empresários e perguntando quais são as principais demandas, com o objetivo de negociar junto ao Estado uma solução para o problema.

O presidente da Goiás Turismo, Fabrício Amaral, designado pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), para dialogar com os empresários, diz que a burocracia realmente é um problema, mas a necessidade de garantias e certidões para ter acesso ao crédito é responsabilidade do governo federal. Conseguir toda a documentação necessária, diz Fabrício, é uma das fases mais burocráticas do processo. O presidente diz que o Estado firmou parceria com o Sebrae para que consultores auxiliem os empresários do Estado a conseguir o crédito.

Além da movimentação no comércio, os bancos tiveram longas filas ontem. Com a necessidade de manter pelo menos um metro de distância entre as pessoas, as filas ocuparam espaço ainda maior, até mesmo nas calçadas dos bancos. A Federação Brasileira de Bancos informou que as empresas têm trabalhado para garantir o acesso das pessoas aos serviços bancários preservando a segurança tanto de seus funcionários quanto dos clientes.

Novo horário

A Prefeitura de Goiânia publicou decreto ontem determinando novo horário para o funcionamento de todos os órgãos e entidades da administração pública municipal, das 7h às 13h. As atividades em diretorias e gerências que são essenciais à gestão e à sociedade nas áreas da saúde, infraestrutura, segurança pública, finanças e assistência social continuam funcionando normalmente. A finalidade, diz o documento, é diminuir aglomerações em locais de circulação comum, como elevadores, corredores, auditórios, restaurantes e pontos de ônibus. O decreto também determina que a Secretaria Municipal de Educação e Esporte (SME) deve seguir as orientações do governo estadual no que diz respeito às aulas nas escolas, que estão suspensas até 30 de abril.