O governador Ronaldo Caiado (DEM) falou, em live, nesta quinta-feira (2), que vai publicar o novo decreto de prorrogação do isolamento social no Estado na sexta-feira (3). Segundo ele, a abertura das atividades não essenciais à manutenção da vida fica impossibilitada, já que a China não enviará mais os equipamentos esperados para combate do coronavírus no Brasil.

“Uma notícia que nos preocupou foi que a negociação com a China sobre equipamentos e respiradores caiu por terra, porque houve uma pressão a mais e o fornecimento foi repassado todo para os Estados Unidos, que deslocou para lá 23 aviões cargueiros. E então não podemos contar com essa capacidade de ampliar os leitos para ter condições de receber um número muito grande de infectados”, justificou.

O democrata explicou que, embora o Estado conte com capacidade hospitalar, inclusive com a instalação de hospitais de campanha, o sistema de Saúde não dará conta de atender uma demanda alta com os equipamentos que possui hoje. “Quando a gente mantém a quarentena como fizemos aqui é para não aumentar o número de casos graves. Se eu amanhã libero e não tenho estrutura para receber uma quantidade grande de infectados, teremos um problema”, apontou.

Testes

Caiado também falou que há uma lentidão na divulgação dos resultados dos exames e, com isso, a quantidade de pessoas na fila aguardando o resultado é muito maior do que os casos confirmados ou descartados. “Nós temos um acumulado de pessoas que já colheram o material e os que estão sendo liberado, infelizmente o lado que aguarda é maior do que os resultados que saem”, detalhou.

Ele voltou a falar dos testes rápidos e alertou para o índice de falha do que há disponível no mercado brasileiro hoje. “O número de falsos negativos é muito alto, acima de 30%. Então estaremos jogando dinheiro fora e não estaremos protegendo em nada a nossa população”, disse.

Estrutura

Ainda sobre a estrutura que dispõe a Saúde hoje, o governador fez um apelo às indústrias goianas para que se prontifiquem a ajudar na produção de equipamentos necessários nos combate ao coronavírus. “Essas empresas têm técnicos com pessoas altamente qualificadas, que produzem altas tecnologias. Não seria a hora de voltar todas essas inteligências para que pudéssemos fabricar também respiradores, equipamentos de isolamento para atender as pessoas na UTI?”, questionou.

Por fim, Caiado reforçou a necessidade da quarentena: “Estamos aqui segurando o máximo que é possível, isso aqui dá um efeito para os próximos 15 dias. Se nós ainda tivermos o aumento nos próximos 15 dias com a quarentena que estamos fazendo aqui, aí é realmente muito preocupante, porque precisamos manter a curva do nosso crescimento. Não queremos passar pelo colapso da rede hospitalar, aí é o pior dos mundos.”