A conclusão da Fase 1 do acordo entre Estados Unidos e China, prevista para o próximo dia 15, deve causar novo impacto sobre as exportações de soja por Goiás para o país asiático. Desde 2018, a guerra comercial entre os dois países tem se refletido no mercado da commodity, também afetado pela febre suína na China e pela valorização do dólar. Apesar dessas oscilações, as projeções de produtores e analistas de mercado são positivas para a demanda por soja brasileira.Consultor técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja), Cristiano Palavro vê boas perspectivas para 2020, lembrando que os produtores reduziram riscos ao aproveitar os bons preços futuros em 2019. Conforme estimativa da Aprosoja, de 50% a 55% da safra 2019/2020 de soja em Goiás já foi comercializada - no mesmo período do ano passado, as vendas não passavam de 45%. “Fatores como boas janelas de preços, valorização do dólar e a percepção de que os preços podem ficar menores mais à frente, devido ao fim da guerra comercial e às variações cambiais, influenciaram a comercialização mais acelerada”, explica Palavro. Ele confirma que o acordo entre EUA e China deve ampliar a demanda sobre a soja americana em detrimento da brasileira e que a demanda total não deve ter um crescimento significativo em função da crise sanitária na China. CâmbioOutro ponto, diz o consultor, é o câmbio. O fim da guerra comercial, com queda no risco de desaceleração da economia mundial, deve atrair investidores para ativos de maior risco e moedas emergentes, valorizando o real, que também tende a se fortalecer com o avanço das reformas no Brasil e melhora do quadro econômico nacional. “Caso a moeda brasileira volte a se valorizar, devemos ter quedas nos preços pagos ao produtor de soja.” Por outro lado, ressalta, “caso o câmbio se mantenha elevado, devemos manter nossa competitividade, porém os custos de produção para a nova safra (2020/2021) devem ficar mais altos, pois boa parte de nossos insumos e demais itens de custo são dolarizados”. Produtor de soja em Chapadão do Céu, no Sudoeste goiano, Luiz Renato Zapparoli espera colher até março 210 mil sacas de soja. Do total da produção, ele já comercializou quase a metade. “Era o que tinha para fazer, era uma condição boa, preço médio de R$ 73.” Ele diz não estar pessimista com os negócios neste ano, apesar do anunciado acordo entre americanos e chineses. E menciona razões para que a China continue a comprar do Brasil: o inverno rigoroso que chegou mais cedo, afetando a safra americana, onde o volume do produto disponível hoje não é o estimado; e a necessidade dos chineses de manter linha comercial com o Brasil, porque não vão querer ter um só senhor cuidando da sua segurança alimentar, ainda mais estando em acirrada disputa com ele. Além disso, o produtor menciona que são apenas três os grandes exportadores de soja, Brasil, EUA e Argentina, esta mais de farelo. “Se o chineses comprarem mais dos EUA, aumenta o prêmio lá, aí o restante dos asiáticos compram aqui. E a soja permeia não só a alimentação humana como é usada para ração animal.”A perspectiva para a safra 2019/2020 é de maior colheita, pelo aumento de área plantada e clima favorável até agora, afirma Leonardo Machado, analista técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag). No Brasil, o crescimento de área foi de 2,3% e em Goiás, de 2%, informa.Embora o plantio tenha atrasado um pouco no ano passado pela falta de chuvas, isso não deve afetar a colheita, comenta o presidente da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), Antônio Chavaglia. Ele não descarta recuo do preço conforme o volume que a China volte a comprar dos EUA e também pela lenta recuperação do plantel chinês após a peste suína.