A necessidade do uso racional das redes sociais foi o tema central do webinar “Depressão e a Influência das Redes Sociais” realizado pelo POPULAR na noite desta quinta-feira (15). Durante a discussão, especialistas convidados deram orientações para afastar os perigos da navegação excessiva, hábito diretamente ligado aos prejuízos à saúde e que pode desencadear uma gama de transtornos, entre insônia e depressão.

O evento realizado em parceria com a FacUnicamps contou com participação do doutor em Psicopatologia Clínica, Júlio César Alves, da médica psiquiatra Daniela Londe e do empreendedor e influenciador digital Pablo Marçal. Para os convidados, a pandemia da Covid-19 acelerou o processo do uso excessivo das redes sociais.

Segundo Júlio César, a demanda por atendimento psicológico cresceu de forma expressiva no último ano. Entre os motivos, o doutor em Psicopatologia cita que a crise sanitária empurrou atividades rotineiras para o ambiente digital, citando o home office e as aulas remotas. “Tudo é muito novo e recente. Pessoas entram em crise por não saber lidar com os excessos ou as faltas”, disse Júlio César, que afirma ser possível melhorar a relação com esses ambientes: “O problema não está na rede social, está no mau uso que fazemos dela”.

Para a psiquiatra Daniela, compreender o funcionamento das redes e seus impactos na saúde é uma habilidade que pode se tornar aliada. “Hoje nós temos profissionais que se pronunciam sobre o tema ideal. Alguns estudos apontam que com duas horas de uso já existe chance maior de transtornos de ansiedade e depressivo”, afirmou a especialista.

A estimativa de tempo máximo não se aplica a todos os organismos, lembra Daniela. “Quando a gente pensa em uso, abuso e vício de redes eu tenho de pensar porque isso está acontecendo. Por que tem pessoas que se viciam e outras não?”, disse ao citar que existem pessoas com predisposição genética aos vícios, o que inclui os ambientes digitais.

Mesmo tendo as redes sociais como principal plataforma de trabalho, o empreendedor e influenciador Pablo Marçal considera que “a internet traz muitos problemas”. Segundo Marçal, a conclusão se deu após ele compreender o funcionamento das redes. “Tendo conhecimento a gente passa a ter cuidados e desta forma ter um controle maior”, disse o empreendedor que classifica as redes sociais como “redes de anúncio”.

Na rotina de produzir conteúdo para os ambientes que o próprio influenciador considera problemáticos, Pablo Marçal diz que estabeleceu estratégias para não ficar “refém”. “Produzo minhas publicações de uma semana em um único dia. Você pode consumir as redes sociais, mas eu oriento que em 95% do tempo seja para aprender”, acrescenta.

Apesar de haver faixas etárias mais vulneráveis, a psiquiatra Daniela lembra que não há idade livre dos prejuízos acarretados pelo mau uso das redes. Segundo a médica, a insônia é o problema que atinge o maior número de pessoas. “Independente do tempo de tela, o fato de virar a noite é agravante. Vivemos uma pandemia dentro da pandemia”, disse sobre o crescimento de pessoas com quadros de insônia decorrentes do uso de dispositivos digitais.

“É à noite que nosso organismo é regulado. Quando perdemos isso, começamos a ter um prejuízo global do nosso planejamento”, destacou Daniela, que detalha que o desequilíbrio do organismo pode acarretar problemas mais graves, como depressão e ansiedade. Estudos realizados pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) mostraram aumento de 90% nos casos de depressão no Brasil. (Luiz Phillipe é estagiário do GJC em convênio com a UFG)