Cerimônias póstumas, como velórios e sepultamentos sofreram modificações em Goiás devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19). A Secretaria Estadual de Saúde publicou nota técnica que trata de normas para o funcionamento de funerárias, cemitérios e crematórios, recomendando cuidados especiais com os corpos, em especial os contaminados pelo vírus. Nesta quinta-feira (26), foi confirmada a primeira morte relacionada ao Covid-19 em Goiás, uma idosa de 66 anos (leia mais na página 12).

De acordo com o documento, publicado na última semana, o corpo deve ser transferido, para o serviço funerário o mais rápido possível. Antes do translado, no entanto, os familiares mais próximos têm acesso para se despedir, sempre evitando contato físico com o ente e com equipamentos e materiais próximos.

A SES lembra que ainda “não há proibição legal para a realização do velório de pessoas falecidas em decorrência do Covid-19”, apesar de reforçar a recomendação de que os familiares próximos fiquem o menor tempo possível e com permanência (simultânea) máxima de oito pessoas na sala de velório, evitando aglomeração. Todos devem seguir as medidas de higiene das mãos. Os locais devem ofertar água, sabonete líquido, papel toalha e álcool em gel. Há também a orientação para respeitar a etiqueta respiratória, além de evitar apertos de mão e contatos físicos entre os participantes do funeral. Existe também recomendação que as pessoas dos grupos mais vulneráveis (crianças, idosos, grávidas, com doenças crônicas e sintomáticas respiratórias) não participem das cerimônias.

Não existe procedimento obrigatório definido quanto ao destino final do corpo. Pode acontecer enterro ou cremação - sem que as cinzas representem riscos ao serem manipuladas. Apesar disso, existe recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com preferência para “cremar os cadáveres, embora não seja obrigatório fazê-lo”.

Na última nota técnica, a Anvisa orienta também às funerárias em outros pontos, como “manuseio do corpo deve ser o menor possível”, “corpo não deve ser embalsamado”, “limpeza do caixão com álcool líquido a 70% antes de levá-lo ao velório”.

Municípios

Além de seguir as recomendações da Secretaria de Estado de Saúde, os municípios também adotaram algumas medidas, por meio de portarias, visando a evitar aglomerações em velórios.

A portaria 025/2020 da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) determina que os cemitérios de Goiânia (Jardim da Saudade, Parque, Vale da Paz e Santana) funcionem normalmente de segunda a segunda, das 7 horas às 17 horas, mas com escalonamento de horários, por equipes reduzidas por conta de servidores que estão dentro do grupo de risco. As salas de velórios - seguindo as recomendações da Anvisa - também devem ter número reduzido de pessoas, apesar do documento não especificar limite máximo.

Em caso de óbito confirmado pela Covid-19, o caixão deve ser mantido fechado, apenas com familiares mais próximos (e que não apresentem sintomas) presentes, sempre tomando os devidos cuidados para diminuir a probabilidade de contágio com o novo vírus. A Central de Óbitos funcionará normalmente por 24 horas, também com serviço escalonado.

Em Aparecida, a portaria (número 03/2020-GAB/SMS) assinada por A’lessandro Magalhães, secretário municipal de saúde e presidente do comitê de prevenção e enfrentamento ao novo coronavírus, proíbe a permanência simultânea de mais de oito pessoas nas salas de velórios de funerárias e cemitérios. A portaria deve ficar afixada em local de destaque, próximo às salas de velório.

Gustavo Assunção, superintendente de Atenção à Saúde, explica que uma nova nota deve ser publicada nesta sexta-feira (27), com novas recomendações e atualizações. “Apesar de ainda não ter acontecido óbitos em Aparecida, a gente anteviu o problema e publicamos uma portaria, baseada no conceito de restringir aglomeração de pessoas em velório e nos próprios cemitérios, construída junto com Ministério Público e outras entidades do segmento. Estamos terminando de elaborar outra nota, em relação aos casos confirmados, seguindo recomendações da Anvisa. Deve ser publicada no final do dia”, frisou Gustavo.