Gerou repercussão uma publicação postada durante uma live no Facebook do jornal O POPULAR que anunciava a criação de um grupo de extermínio de gays em Goiás. O caso provocou indignação e fez com que entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se manifestassem. Em Goiás, quem testemunhar outras mensagens de ódio do tipo ou for vítima de discriminação pela internet pode fazer denúncias pelo telefone da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), 3201-6901.

Segundo a Polícia Civil, em casos semelhantes é preciso que as testemunhas façam registros não só da mensagem e do perfil, com a ferramenta de captura de tela, mas também dos dados de URL e de ID do perfil, presentes na barra de endereço do navegador.

Outra possibilidade de denúncia, a nível federal, é o Disque 100. O número é vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e recebe queixas relativas a casos de violências e discriminações contra crianças, adolescentes e grupos minoritários.

Grupo de extermínio

A postagem que anunciava a criação de um grupo de extermínio para gays foi publicada na noite desse domingo (28), após o anúncio da vitória de Jair Bolsonaro (PSL) como presidente, e pouco depois foi apagada. Ainda assim, leitores já haviam feito prints da mensagem, que foi compartilhada nas redes sociais e provocou reações de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de veículos da imprensa de outras unidades da federação.

Em entrevista ao POPULAR, a dona do número de telefone listado na publicação argumentou que o perfil de Facebook, que também utilizava seu nome e sua foto, era falso. De acordo com a delegada Sabrina Leles, da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), a colaboração de pessoas que possam ter informações sobre a real autoria da publicação é importante e pode ser utilizada nas investigações.

Membro da Comissão Especial da Diversidade Sexual e Gênero do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Chynthia Barcellos recebeu o print da imagem pelo WhatsApp e afirmou que a comunidade LGBTQI+ está se organizando para denunciar o crime. “Qualquer pessoa pode denunciar nas delegacias comuns e também pode registrar as denúncias no Ministério Público e no Disque 100, o Disque Direitos Humanos. Este é um caso de dano moral coletivo, quando a ameaça não está direcionada a uma pessoa apenas. As pessoas continuam sob a tutela das leis e precisam ir atrás disso. Nenhum discurso de ódio vai legitimar este tipo de crime”, afirma Cynthia.

Cynthia afirma ainda que estamos vivendo um cenário de legitimação da violência com o candidato que foi eleito à presidência, Jair Bolsonaro (PSL). Ainda assim, é preciso continuar a luta sabendo que a internet “não é terra de ninguém”. “Qualquer pessoa pode denunciar e não podemos ser coniventes com este tipo de discurso e ameaça”, finaliza.