Brinquedos e equipamentos de academias ao ar livre situados em parques de Goiânia foram interditados pela Prefeitura da capital. A medida foi colocada em prática nesta quarta-feira (8) e atingirá os 17 espaços da cidade que contam com este tipo de estrutura. O objetivo é prevenir a disseminação do novo coronavírus (Covid-19) entre os frequentadores, uma vez que a aglomeração de pessoas nestes locais se manteve mesmo com as restrições de circulação existentes no município. Além disso, a falta da higienização adequada durante o uso dos aparelhos também pode contribuir para que o patógeno se prolifere.

Equipes da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma), da Guarda Civil Metropolitana (GCM), da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação (Seplanh) da capital e da Polícia Militar de Goiás (PM-GO) realizaram o isolamento, iniciado pela manhã. Fitas zebradas e avisos foram instalados para impedir o acesso. A desobediência à restrição poderá acarretar em aplicação de multa ou até mesmo de detenção de um mês a um ano, segundo a titular da Seplanh, Zilma Percussor Campos Peixoto.

“O Código Penal prevê, no artigo 268, a aplicação de sanções àqueles que descumprem determinações do poder público destinadas a impedir a propagação de doenças e a prevenção da saúde pública. É um dispositivo legal que já existe e pode ser aplicado”, diz ela, que explica que a circulação não foi restringida nos demais espaços dos parques. “Entende-se que a caminhada ou a exposição ao sol são algo positivo. As pessoas podem fazer atividades, mas este momento não pode se tornar uma aglomeração.”

Os primeiros pontos afetados pelo fechamento foram os parques Flamboyant, Vaca Brava e Areião, localizados na Região Sul de Goiânia. Durante o dia, outras localidades foram alvo da ação e dez já haviam sido fechadas até o início da noite. Bosque dos Buritis (Setor Oeste), Campininha das Flores, Lago das Rosas, Bernardo Élis, Leolídio Caiado, Jerivá e Cascavel também foram afetados. A previsão é de que os equipamentos dos 17 parques sejam interditados nesta semana e tenham fiscalização contínua durante o feriado desta sexta-feira (10) e o fim de semana, a fim de evitar que a sinalização seja removida, de acordo com o gerente de Fiscalização da Amma, Diego Moura.

Medidas

A secretária Zilma Peixoto explica que, dentre os motivos considerados para a adoção da medida, está o aumento do número de frequentadores nestes espaços após o fechamento de academias de ginástica, ocorrido em razão das restrições aplicadas durante a pandemia da Covid-19. “Muitos personal trainers acabaram levando seus alunos para os parques. Além do uso inadequado, porque não há higienização durante o uso por várias pessoas, isso ainda provocou aglomeração. O uso destes equipamentos, neste momento, é inapropriado”, afirma.

A mesma questão foi apontada em recomendação expedida pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) à Prefeitura de Goiânia na última terça-feira (7). Por intermédio da promotora de Justiça Alice de Almeida Freire, o órgão orientou a administração municipal a fechar as academias em parques e praças, além de brinquedos, visando a impedir a adoção de medidas extremadas como as que implicam em fechamento total dos parques, como ocorrido na cidade de São Paulo.

Além dos 17 parques em questão, Goiânia possui outros 25, que não possuem academias ao ar livre ou brinquedos. Até o momento, a expansão da medida para estes não é considerada, de acordo com a titular da Seplanh. “Nos outros, ainda não temos identificado aglomeração. Se isso ocorrer, vamos agir”, diz ela.