A Universidade Federal de Goiás (UFG) vai ter, no início de 2020, apenas R$ 5 milhões por mês para suas despesas básicas de custeio, o que inclui as contas de energia, água, segurança, limpeza e demais. Ocorre que, desde este ano, o estimado é que esses custos sejam na ordem de R$ 7,5 milhões mensais. Com isso, já em janeiro a instituição de ensino superior federal no Estado vai apresentar um déficit mensal de cerca de R$ 2,5 milhões, ou seja, um terço das contas não deverão ser pagas. O problema é ainda pior porque o balanço de 2019 deve ser fechado com um déficit de R$ 22 milhões, o que representa três meses do ano sem que as contas fossem pagas.

A realidade de fechar o ano com três meses de déficit já é padrão desde 2015, mas será a primeira vez que o problema já é iniciado no primeiro mês do ano. O reitor da UFG, Edward Madureira, explica que isso vai ocorrer porque o governo federal, diferente do que fez neste ano, já vai contingenciar a verba das universidades federais previamente. Em 2019, o contingenciamento ocorreu em março, quando 30% da verba ficou retida após ter sido liberada pelo orçamento. Estes recursos só foram liberados ao longo do ano, sendo metade em setembro e o restante em outubro.

Agora, 40% do orçamento de R$ 100 milhões para o custeio básico ficará retido e só poderá ser liberado no caso de Congresso Nacional aprovar projetos de lei de autoria do governo com relação ao orçamento anual e o ajuste fiscal. “Se eu começo com R$ 60 milhões e eles liberam um doze avos de 60, como que faço frente àqueles R$ 7,5 milhões por mês? Certamente não chego nem perto. Já começo o ano deixando de pagar algumas contas e carregando algumas dívidas do ano anterior. Vai ser um ano super difícil, mas estamos buscando ajustar essas contas”, diz Madureira.

O reitor também não descarta a possibilidade de novos contingenciamentos ao recurso que tem como liberado até então. Além disso, ele reforça que mesmo a liberação total dos recursos vai solucionar os problemas orçamentários, que foi o que ocorreu neste ano. “Há cinco anos consecutivos nosso orçamento é menor que as despesas e ninguém na universidade cruzou os braços. Fomos racionalizando, mas chega num limite que o orçamento dá conta da despesa de 9 meses, 3 meses fica em aberto. É isso que a gente quer para a UFG? Não é agora, isso vem desde 2014. O governo liberou 100% neste ano, de fato, mas 100% não cobre as despesas.” Para se ter uma ideia, apenas o custeio básico chega na ordem de R$ 102 milhões.

Esse valor se refere às despesas com pouca variação, como energia e água e os contratos terceirizados, mas ainda há custos com a compra de suprimentos diários, como de higiene e limpeza, diárias e passagens para eventos e congressos de professores e alunos e outras atividades de pesquisa e extensão. Assim, Madureira estima que 2020 seja um ano mais difícil do que o visto agora, mas que realiza esforços para que a atividade fim (ensino, pesquisa e extensão) não seja atingida. Ainda neste ano, ele negocia com a União uma suplementação de recursos, de modo a diminuir o déficit deste final de 2019.

Investimento

Com os recursos orçamentários em declínio ao longo dos anos e a necessidade de manter o custeio diário, os investimentos para o próximo ano na UFG serão praticamente nulos. O reitor Edward Madureira afirma que a verba concedida pela União só será suficiente para atualizar parte dos equipamentos de informática de toda a instituição e também está prevista a troca do ônibus utilizado para viagens a congressos e em aulas práticas, já que o veículo atual já apresenta problemas devido a idade e uso.

A construção de novos espaços e prédios, o que se tornou característico no Câmpus Samambaia entre 2005 e 2015, está descartada. “E a gente está precisando muito. Estamos precisando ampliar a reitoria, mas não temos verba. O Instituto de Informática está crescendo muito e não tem um auditório. Lá o curso de Inteligência Artificial, que acabou de montar um Centro de Excelência, junto com o governo do Estado, vai ter sua sede no Centro Cultural Oscar Niemeyer, porque no Instituto não tem espaço. Precisaria de mais investimentos em prédios para concentrar ali o conhecimento, mas não há previsão.”