Uma equipe formada por professores e alunos da Universidade Federal de Goiás (UFG) criou uma máscara de plástico para ser usada como equipamento de proteção individual (EPI) por profissionais da saúde no tratamento de pacientes com o novo coronavírus (Covid-19). Outros tipos de máscara e equipamentos, como peças para respiradores e roupas de proteção, estão entre os projetos da equipe.

O primeiro protótipo da máscara será validado nesta terça-feira (24) por uma equipe de saúde da universidade. Passada essa etapa, que avalia as condições de segurança na produção do equipamento, a máscara poderá começar a ser utilizada em unidades de saúde que estão com falta de EPIs, como o Hospital das Clínicas (HC).

Essa primeira máscara é feita de placas de PETG, um tipo de plástico fácil de ser encontrado em papelarias e lojas especializadas. O uso de material reciclável foi descartado para garantir assepsia do equipamento e o seu uso seguro dentro de hospitais.

A máscara é formada por uma haste que é fixada na testa do profissional da saúde e uma espécie de viseira transparente que protege todo o rosto.

O projeto dessa máscara começou a ser desenvolvido na quarta-feira (18). Inicialmente é feito um projeto gráfico do equipamento em três dimensões utilizando um software de desenho, baseado em outras máscaras existentes no mercado.

Para a execução do projeto são utilizadas impressoras 3D máquinas de corte a laser, além de outros equipamentos menores, como tesouras e guilhotinas. Todas essas tecnologias fazem parte da Rede IPÊLAB da UFG, onde as máscaras estão sendo produzidas.

Segundo o professor doutor em Física, Luizmar Adriano Junior, que faz parte do projeto, se a validação pela equipe de Saúde da UFG for positiva, as primeiras dezenas de kits já serão produzidas no mesmo dia, nesta terça-feira. “Uma equipe multiprofissional é responsável por checar, averiguar o processo de produção, a higiene e a assepsia, para ter condições de entregar os kits em condições de serem utilizadas. Temos cerca de dez impressoras 3D para fazer a produção em escala e montar kits.”

O objetivo dos pesquisadores é ir além da máscara produzida atualmente. De acordo com o doutor em física, a equipe estuda produzir outros EPIs e materiais: a máscara de proteção mais popular, utilizada na boca e nariz; válvulas e outras peças para respiradores, equipamentos essenciais no tratamento de pacientes com coronavírus em estado grave; e roupas com proteção extra para profissionais.

Ainda segundo Luizmar, a produção pela impressora 3D não é tão rápida quanto a equipe gostaria. Por isso, outras empresas, instituições ou laboratórios que possuem esse equipamento poderão produzir a peça.

Além de Luizmar, fazem parte da equipe que criou a máscara: o estudante de física e técnico em eletromecânica, Daniel Silva Guimarães, e o arquiteto e urbanista, doutor construção civil, Pedro Henrique Gonçalves.

“Na sequencia, a gente vai estar estudando, em sintonia com movimento nacional, para saber quais outros tipos de equipamentos ou dispositivos que são de aplicação necessários e que estão em falta para profissionais que lidam com infectados, especificamente em Goiás. Quais são as demandas aqui para entregar e o que é mais urgente”, comentou Luizmar.