Atualizada às 11h09.Trinta e seis trabalhadores, três deles menores de idade, foram resgatados entre os dias 21 de setembro e 2 de outubro durante operação de combate ao trabalho escravo em Goiás em áreas de carvoarias e de extração de pedras e de madeiras nos municípios de Catalão, Campo Limpo de Goiás, Joviânia e Vicentinópolis. A ação foi realizada pela Superintendência Regional do Trabalho em Goiás, em parceria com o Ministério Público do Trabalho, e a Polícia Rodoviária Federal. De acordo com a Superintendência Regional do Trabalho, além de executarem atividades pesadas, como a produção artesanal de carvão vegetal e extração manual de pedras, os trabalhadores não tinham condições mínimas de segurança e saúde. Coordenador da operação, o auditor fiscal do trabalho Roberto Mendes explicou que as condições análogas ao trabalho escravo foram constatadas em sete dos 12 locais fiscalizados. Os demais foram autuados por infração trabalhista, já que os trabalhadores não estavam registrados. Foram lavrados aproximadamente 150 autos de infração, com soma total de multas que poderá ultrapassar R$ 1 milhão. Em Catalão, onde foi fiscalizada uma carvoaria, o empregador concordou em registrar os trabalhadores após a chegada da fiscalização. Eles vão receber os salários de forma retroativa e todas as verbas rescisórias. Mas não foi o que ocorreu, por exemplo, em Campo Limpo de Goiás onde foi encontrado um único trabalhador vivendo sob uma lona numa área de extração de madeira.Conforme Roberto Mendes, no caso das pedreiras, além de não estarem registrados, os trabalhadores não tinham condições mínimas de trabalho. “Os únicos equipamentos de proteção individual foram comprados do próprio bolso, ou os empregadores compravam e pediam ressarcimento”. Houve casos em que as pessoas estavam trabalhando sem água neste período de estiagem e de altas temperaturas. “Uma situação inaceitável do ponto de vista da dignidade do trabalhador”, afirma Roberto Mendes. Em alguns casos, os proprietários das áreas pagaram verbas rescisórias, mas aqueles que se negaram serão alvo de uma ação civil coletiva que será elaborada pelo Ministério Público do Trabalho. Caso haja resistência para quitar a multa, os valores serão inscritos na dívida ativa da União. Todos os trabalhadores dispensados das atividades foram inscritos para receber o seguro-desemprego.-Imagem (1.2130895)